Paranaense desaparecida foi vítima de cárcere privado por 20 anos

Redação

A Polícia Civil prendeu na madrugada de terça-feira (25) um casal suspeito de manter uma mulher de 63 anos em cárcere privado e em situação análoga à escravidão em Vinhedo (SP).

A vítima morava no Paraná e foi ao interior paulista com o objetivo de trabalhar na casa de uma família para ajudar a mãe na criação dos irmãos mais novos mas foi confinada, sofreu abusos e privações e há pelo menos 18 anos não recebia salário.

A polícia chegou ao local em uma investigação de estelionato. O casal Écio Pilli Junior, 47, e Marina Okido, 65, teria aplicado golpes contra estabelecimentos comerciais utilizando cheques em nome da vítima. “Vocês precisam realmente saber o que está acontecendo, me ajude”, teria dito Iva da Silva Souza, segundo o registro policial.

Como os policiais estranharam o pedido de ajuda da idosa, resolveram investigar e descobriram que havia um boletim de ocorrência por desaparecimento registrado em Colorado (PR), cidade natal da vítima, em 1996. A polícia, então, voltou ao endereço. A idosa confirmou que vivia confinada, com acesso a apenas dois cômodos, e sem poder sair nem atender a campainha.

Ela cuidava da mãe da suspeita detida, de 88 anos, e, segundo disse aos policiais, nunca recebeu pelo serviço. Também disse que seus documentos estavam em poder do casal há pelo menos dois anos. “Ela não tinha contato com o mundo exterior. Ela tinha um isolamento social absurdo. Ela não saía da residência, não falava com ninguém a não ser com os autuados e com a senhora idosa”, afirmou a delegada Denise Margarido.

O casal passou por audiência de custódia, ambos tiveram a prisão preventiva decretada e serão indiciados por crimes de estelionato, tortura e cárcere privado.

A polícia também localizou familiares da vítima no Paraná e em Araraquara (SP) e o reencontro de Iva com a irmã Odete da Silva Souza aconteceu nesta terça-feira (25).

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