Paranaguá é alvo de investigação após compra de remédio para Covid-19

Mirian Villa


A Prefeitura de Paranaguá, no litoral do Paraná, é alvo de uma investigação preliminar do MPPR (Ministério Público do Paraná) sobre a dispensa de licitação para a compra de R$ 3 milhões de um remédio para a Covid-19 sem a eficácia comprovada.

Na última sexta-feira (17), o município iniciou a distribuição de Ivermectina para a população. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, o objetivo era usar o medicamento como “auxílio na prevenção aos efeitos agravados” do novo coronavírus.

PREFEITURA DE PARANAGUÁ DISTRIBUI IVERMECTINA CONTRARIANDO OMS E ANVISA

De acordo com a Prefeitura de Paranaguá, a decisão está ancorada em estudos científicos que apresentaram, in vitro, resultados favoráveis. Porém, a OMS alerta que testes em laboratório não garantem a eficácia em humanos.

Até o momento, não há nenhuma comprovação científica de que a Ivermectina possa ajudar no tratamento ou na prevenção da Covid-19. Já a Anvisa orienta que o medicamento só deve ser usado conforme a bula, que é indicado para o tratamento de sarna e piolho.

A promotora Camila Adami pediu, em uma notícia fato, que o município esclareça os critérios usados na compra do remédio. Entre os questionamentos, estão o “embasamento técnico (indicativo médico) para a aquisição emergencial do medicamento”, além do “critério técnico para o número de aquisições do remédio de acordo com a população que o receberá”.

O prazo estipulado para que o município responda os questionamentos é de cinco dias, podendo ser prorrogado. O Paraná Portal entrou em contato com a Prefeitura de Paranaguá e aguarda retorno.

A distribuição da ivermectina aconteceu no final de semana em uma arena esportiva do município (Divulgação/Prefeitura de Paranaguá)

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