Polícia Civil prende estudante de medicina que receitava e vendia anabolizantes em Curitiba

A Polícia Civil do Paraná prendeu um estudante de medicina que se passava por médico formado e vendia programas de “cons..

Simone Giacometti - 26 de março de 2019, 19:03

A Polícia Civil do Paraná prendeu um estudante de medicina que se passava por médico formado e vendia programas de “consultoria fitness”, onde estariam incluídas consultas médicas e aulas com personal trainer, além da prescrição e venda de esteroides anabolizantes. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois de prisão, na terça-feira (25), em Curitiba.

 

O falso médico Jodilson Veloso Marcelino Filho, 29 anos, teve a prisão preventiva decretada pelo exercício ilegal da medicina e também vai responder por outros crimes.  Edilson Azevedo da Silva, conhecido como "Lavoura Silva", ficará preso temporariamente durante 30 dias por se apresentar como personal trainer sem ter formação em Educação Física e por ajudar no esquema de venda dos produtos.

Jodilson era dono da “Clinic Live”, que funcionava no centro da cidade.  Ele se dizia médico doutorando em medicina com vasta experiência em áreas como nutrologia e endocrinologia, mas ainda está cursando o nono período da faculdade de medicina na Universidade Federal do Paraná.

Ao longo das investigações, constatou-se que, além de prescrever medicamentos de uso controlado como esteroides anabolizantes, Jodilson adulterava os medicamentos que vendia aos pacientes. Em algumas prescrições e requisições de exames, chegou falsificar a assinatura e utilizar carimbo contendo os dados de um médico legalizado, sem autorização do profissional.

Após ser informado de que  poderia ser investigado, ele passou a orientar os pacientes a mentirem caso fossem intimados e a não entregarem receitas ou recibos fornecidos por ele.

No apartamento dele foram apreendidos comprimidos e ampolas de anabolizantes vendidos de maneira ilegal, além de diversos potes plásticos usados para guardar os medicamentos adulterados. Também foram encontrados materiais gráficos de divulgação da “Clinic Live”.

Os outros profissionais que faziam parte da equipe serão intimados a prestar depoimento, visando apurar eventuais responsabilidades criminais. Segundo o delegado responsável pelo caso, duas nutricionistas que atendiam no local serão intimidas para depor e esclarecer se desconheciam a falta de formação do dono da clínica e a venda de produtos  sem comprovação de origem.

A farmácia de manipulação que fornecia parte dos medicamentos também está sendo investigada.  O farmacêutico responsável terá que apresentar as receitas assinadas por um médico legalizado para provar que não era conivente com o esquema. Caso fique provado que Jodilson falsificava os dados nas prescrições,  o estabelecimento será isento de culpa.

Duas vítimas foram ouvidas e relataram que pagaram planos de 2 a 3 mil reais, receberam guias para fazer exames e ao usar os anabolizantes fornecidos, passaram mal.  As investigações apontaram que os produtos vinham do Paraguai. A clínica funcionava sem qualquer tipo de regulamentação, não tinha CNPJ ou diretor técnico responsável conforme prevê a lei, desde setembro de 2018, como provam contratos encontrados no local.

Os presos foram encaminhados ao Centro de Triagem, onde permanecem à disposição da Justiça.    Os envolvidos irão responder pelos crimes de exercício ilegal da medicina, associação criminosa, falsidade material e ideológica, falso testemunho e adulteração de produtos destinados a fins medicinais.  Caso condenado, Jodilson pode pegar de 17 a 33 anos de prisão. “Lavoura Silva”, de 8 a 18 anos de prisão.