Perícia aponta desidratação em bebê morto na casa da avó, adianta polícia

Fernando Garcel


A perícia sobre a causa da morte de um bebê de um ano e sete meses em Porecatu, a cerca de 80 quilômetros de Londrina, no Norte do Paraná, na última semana, deve ser concluído nos próximos dias. No entanto, a polícia já adiantou que há indícios de que a criança apresentava desidratação na bexiga e que podia não estar alimentada há bastante tempo.

O bebê foi encontrado morto na casa da avó, Michele Penteado Rodrigues, 39 anos, que foi presa em flagrante autuada por crime de homicídio qualificado. A criança teria morrido por falta de assistência e negligência da responsável.

Avó é presa após deixar bebê morrer por abandono dentro da própria casa

Os investigadores acreditam que o bebê adoeceu devido às péssimas condições de higiene da casa onde vivia e depois não recebeu os cuidados necessários. Na casa, de classe média alta, a criança foi encontrada em um ambiente repleto de lixo, sujeira, bebidas, cigarros e restos de comida apodrecendo em meio a larvas.

O que já foi determinado pela perícia é a ausência de líquidos na bexiga, comida no estômago e que ele já estava morto há mais de 24 horas quando foi encontrado pela polícia. “A causa da morte ainda é indeterminada mas a polícia já sabe que foi em decorrência de omissão. De acordo com o médico legista, quando foi encontrado, o bebê já estava morto há pelo menos 24 horas. Ele fez observações e falou que bexiga da criança que estava desidratada”, afirma o delegado Elisandro Correia.

Segundo informações da polícia, o bebê não apresentava sinais de agressão mas tinha uma grave ferida causada por assaduras nas costas.

“A criança realmente estava com alguma virose até por conta da higiene da residência. Com um ano e sete meses precisa-se de cuidado e higiene constante. Sobre a assadura, eu tive o cuidado de olhar com calma porque a fralda chegou a grudar nas costas da criança e não havia sinais de pomada”, contou o delegado Marcos Rubira. “Tudo leva a crer que a criança faleceu por falta de alimentação e a causa direta seja desidratação”, comentou no último sábado.

O advogado da Michele Penteado Rodrigues, Flávio Frederido Gualter disse que ainda não teve acesso ao inquérito e nem ao laudo do IML, por isto ainda não pode falar sobre detalhes do caso, mas pretende repassar outras informações já com conhecimento de causa. A avó do bebê está presa no 3º Distrito Policial de Londrina.

A mãe

O menino estaria aos cuidados da avó desde o começo do mês. A mãe, uma jovem de 17 anos, teria se mudado para o Mato Grosso a trabalho. A mãe da criança relatou que não tinha uma boa relação com avó do bebê e teria ido tentar uma vida nova. Ainda segundo a jovem, ela teria sido expulsa de casa e voltaria nessa semana para buscar o filho para morar com ela.

A Polícia Civil vai investigar o caso e a responsabilização da mãe da criança será verificada. “Nós vamos analisar também a conduta da mãe. Deixar a criança sobre a guarda da avó nessas condições, com certeza ela tinha conhecimento da falta de cuidados porque residia naquele imóvel”, declarou o delegado Elisandro Correia.

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