Pessoas com deficiência auditiva digitalizam 5,4 mil páginas por dia no TJPR

TJPRO grupo de 39 digitalizadores que atua no Tribunal de Justiça do Paraná conta com cinco pessoas com deficiência audi..

Jordana Martinez - 24 de julho de 2016, 07:48

TJPR

O grupo de 39 digitalizadores que atua no Tribunal de Justiça do Paraná conta com cinco pessoas com deficiência auditiva. A integração entre os colegas do setor é total. Tanto que toda a equipe acaba de concluir um curso de libras, o que melhorou ainda mais a relação entre os servidores e a sua produtividade. Em média, eles digitalizam 660 mil páginas a cada mês.

A Supervisora do Centro de Digitalização do TJPR, Daniela Ribas Rocha, explica que o trabalho está rigorosamente em dia, enquanto anteriormente havia mais de 30 mil processos em atraso. Ela informa também que a produtividade é ainda maior entre os servidores com deficiência auditiva.

Segunda ela, a média individual do grupo é de 3,3 mil páginas por dia, enquanto a produção dos servidores com deficiência chega a 5,4 mil páginas diárias. “O rendimento do trabalho reflete o quanto eles sentem-se felizes e valorizados aqui, é uma oportunidade única de inclusão. Aqui a integração é completa, não existe deficiência”, diz Daniela.

Parceria -

A inclusão social é uma bandeira defendida pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Desde 2010, o projeto Abraçar para Incluir, uma parceria entre o TJPR e a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), viabiliza a contratação de pessoas com deficiência para, em conjunto com estagiários de nível médio e superior, desenvolverem o trabalho de digitalização, validação e indexação dos recursos aos Tribunais Superiores.

Esta inclusão coloca o TJPR e a Unilehu como pioneiros no Paraná em participar do Projeto de Inclusão Social, onde os deficientes auditivos realizam atividades intelectivas e não apenas mecanizadas.

A Supervisora do Centro de Digitalização do TJPR informa que o objetivo é expandir o projeto e, desta forma, beneficiar mais pessoas com deficiência.

Para a digitalizadora com deficiência auditiva Thais Mirelle Legiehn Rodrigues, que anteriormente trabalhava como estoquista no comércio, a oportunidade de atuar no TJPR tem sido maravilhosa. Há 11 meses no Tribunal, ela conta que se desenvolveu como pessoa, profissional e conquistou novas amizades. “Depois que os meus colegas fizeram o curso de libras, o entrosamento com eles está ainda melhor, me sinto bem feliz aqui”, diz.

Um de seus colegas, José Augusto dos Reis, elogia o trabalho e a convivência com as pessoas com deficiência. “Eles são excelentes profissionais”, comenta. Após fazer o curso de libras, José Augusto conta que o convívio social com o grupo melhorou. “Além de conversar sobre o nosso trabalho, falamos hoje sobre outros assuntos, como futebol, e já saímos algumas vezes”, diz. “Tem sido muito divertido”.

Reconhecimento internacional –

O trabalho desenvolvido em parceria entre o TJPR e a Unilehu  atraiu atenção internacional e conquistou um importante benefício. Nesta semana, A Unilehu recebeu a visita de representantes da SAP (Social Sabbatical), realizado no Brasil pela Pyxera Global, vindos da Alemanha, Filipinas e Estados Unidos.

A executiva filipina da SAP, Roxanne Bautista, esteve no Centro de Digitalização do TJPR na terça-feira (19/7) e ficou encantada com o projeto. “Eu desconheço no mundo um projeto de inclusão social em parceria com uma instituição governamental como este”, elogiou. Ela é uma das executivas que serão responsáveis por uma consultoria de planejamento estratégico com voluntários internacionais, com a qual o projeto foi agraciado.