PF confirma três mortos e nove presos após assalto no Paraguai

Narley Resende


Em operação no Brasil, após assalto cinematográfico à transportadora de valores Prosegur em Ciudad del Este, no Paraguai, a 4 km da fronteira com Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná, a Polícia Federal (PF) prendeu oito pessoas, conforme balanço divulgado na manhã desta terça-feira (25).

O nono homem foi preso em frente à Unidade Operacional de Cascavel da PRF, na BR-277. Ele estava em um ônibus que fazia a linha entre Foz do Iguaçu e Curitiba. A PRF recebeu uma denúncia anônima de que um passageiro suspeito, com as roupas sujas de lama, havia embarcado no ônibus, na rodoviária de Cascavel.

Após descobrirem a verdadeira identidade do suspeito, os agentes da PRF constataram que havia um mandado de prisão em aberto contra ele expedido pela Justiça de São Paulo. O homem acabou confessando a participação no mega-assalto e foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Federal em Cascavel. Com mais essa prisão, já são nove suspeitos detidos.

A PF confirmou a morte de três suspeitos em confrontos com as forças de segurança. No total, o assalto milionário já deixou um saldo de quatro mortos, incluindo um policial paraguaio.

Segundo o balanço, as ações policiais na região de Foz do Iguaçu, com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC) do Paraná também apreenderam seis fuzis, sendo um deles um .50, munições, dois barcos e sete veículos.

Bolsas e sacos com dinheiro também foram apreendidos. A PF ainda não divulgou os valores das apreensões.

Após o roubo de cerca de US$ 40 milhões (R$ 120 milhões no câmbio atual) – executado com explosões, incêndios de 15 carros pela cidade e três rotas de fuga –, pelo menos parte da quadrilha escapou para o Brasil. Quatro civis paraguaios se feriram.

As autoridades afirmaram ter sido o maior assalto da história do Paraguai. A polícia suspeita que a ação foi coordenada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).

“Muito provavelmente isso não foi um serviço de amadores. É um roubo que precisa de um planejamento grande”, afirma o delegado Geraldo Evangelista, da Polí- cia Civil em Foz do Iguaçu.

Os ladrões conversavam em português, segundo testemunhas, e a maioria dos carros usados na ocorrência tinha placas do Brasil. “O modus operandi foi um pouco repetido, já aconteceu no Brasil. Uma quadrilha capitaneada, infelizmente, por brasileiros”, diz o delegado. Até a noite de ontem, apenas cinco participantes – dos mais de 50 envolvidos – localizados, entre mortos e feridos.

No início da tarde, o Planalto havia emitido uma nota informando que “O Presidente Michel Temer determinou hoje [ontem] ao ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que coloque a Polícia Federal à disposição das autoridades paraguaias para colaborar com as investigações”, mas a apuração do crime será centralizada no Brasil.

A PF informou que montou um “gabinete de crise” com forças de segurança dos dois países para coordenar os trabalhos.

O assalto

A ação começou por volta de meia-noite em Ciudad del Este, 1h no horário de Brasília. Enquanto um grupo incendiou carros e fez disparos em frente à delegacia, para impedir a reação dos policiais, a maior parte da quadrilha foi à sede da Prosegur, a 4 km dali, e isolou o perímetro com mais tiros e outros dois automóveis em chamas.

Os ladrões explodiram um grosso muro de concreto e uma grade de metal para chegar ao cofre da empresa. De lá, teriam saído aproximadamente US$ 40 milhões em caminhões blindados.

O impacto das explosões chegou a quebrar vidros, derrubar portas de madeira e destelhar uma casa nos fundos da empresa. “Ligamos para a polícia e dissemos que havia um assalto. Nos pediram para entrar no quarto e nos esconder debaixo da cama. Eu e minha esposa ficamos lá abraçados e logo escutamos a primeira detonação”, contou Alejandro Anisimoff, morador da casa. À TV Tarobá, afiliada da Band TV na região, ele disse ter ficado três horas debaixo da cama.

Nas primeiras horas após a fuga, o grupo teria se distribuído por três rotas, todas no Paraguai, mas parte do grupo foi encontrada pela polícia em Itaipulândia, a 48 km de Foz do Iguaçu, no final da manhã de ontem.

Os agentes da PF acharam um barco abandonado às margens do lago Itaipu e trocaram tiros com os criminosos, que fugiram para um matagal. Três morreram e dois ficaram feridos. Um deles, baleado duas vezes, foi detido na rodoviária do município, tentando embarcar em um ônibus para São Paulo.

A Prosegur informou, em nota, que “colocará toda a informação reunida a servi- ço das autoridades policiais e judiciais”.

Ministro paraguaio lamentou o ‘poder de fogo’ brasileiro

O ministro do Interior do Paraguai, Lorenzo Lezcano, afirmou que a polícia do país não foi capaz enfrentar a quadrilha brasileira de igual para igual durante a ocorrência.

Em coletiva de imprensa em Foz do Iguaçu, ele destacou a força do armamento dos criminosos. “Sempre estiveram fazendo disparos dispersivos contra o pessoal, com fuzis de alto poder de fogo. Com isso, a polícia praticamente teve que recuar”, reconheceu o ministro.

As munições encontradas na cena do crime mostram que o grupo usou até armas de calibre .50, capazes de danificar concreto e perfurar aço blindado. Já do lado paraguaio, os policiais tiveram que fazer o primeiro confronto apenas com pistolas – já que o armamento mais pesado ficou na delegacia ‘interditada’ pelos assaltantes.

Apesar do desequilíbrio, o único policial morto foi Sabino Ramón Benítez, que fazia a segurança do perímetro da Prosegur.

Após o tiroteio com três mortos com parte da quadrilha em Itaipulândia, no oeste do Paraná, a PF (Polícia Federal) apreendeu, além de munições de .50, uma pistola, 7 quilos de explosivos e cinco carros usados na fuga, inclusive uma viatura da PM (Polícia Militar).

Com informações do Metro Jornal Curitiba

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