Líderes de facção tinham acesso à Wi-fi nos presídios, aponta PF

Andreza Rossini e Francielly Azevedo - CBN Curitiba

A Polícia Federal deflagrou a operação “Pregadura”, na manhã desta terça-feira (20), com o objetivo de reprimir crimes de líderes de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios brasileiros.

Foram cumpridos 29 mandados de prisão, sendo que uma pessoa foi detida em flagrante por tráfico de drogas. Dos detidos na operação, 26 já estavam presos.

De acordo com a polícia, o grupo identificado era responsável por comandar as ações da facção em todos os estados do país, autorizando o ataque a agentes públicos, crimes de tortura, rebeliões e compra e venda de armas de fogo para a prática de crimes.

“Foram identificados tribunais do crime responsáveis por torturar e punir membros da facção que não seguiam os planos”, afirmou o delegado da Polícia Federal, Marco Berzoini Smith. Os investigados também ameaçavam agentes de segurança. “Para que entrassem os mais diversos produtos ilícitos dentro da carceragem”, de acordo com o delegado Martin Bottaro Purper.


As decisões partiam normalmente de dentro da Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba e eram repassadas através de uso de telefones celulares e aplicativos de comunicação. Nas unidades prisionais em que as ordens não entravam com uso destes meios de comunicação, eram utilizados bilhetes encaminhados por meio de visitantes.

“Temos muitos problemas de tráfico de drogas, crime de homicídio e tortura dentro da penitenciária, sempre envolvendo essa facção criminosa”, afirmou a promotora de Justiça, Kelly Vincentini Neves.

“Os bilhetes são dos mais variados, você tem desde autorizações para utilização de armas de fogo para ataques a facções rivais, cobrança de dívidas – nesses casos tivemos diversas ligações em que os próprios integrantes da facção têm punição como quebra de membros e espancamento. Os chefes da facção acompanham esse espancamento por telefone para saber se foi cumprido a missão”, disse o delegado.

Em alguns dos presídios os detentos tinham acesso ao Wi-Fi do próprio presídio. “As investigações continuam e não é possível responsabilizar individualmente”, diz Purper.

As investigações levaram seis meses. Não foi identificada a presença de advogados nos crimes. Os visitantes eram quem levavam os bilhetes aos presidiários.

Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de prisão e preventiva de investigados em cidades nos estados do Paraná (Londrina, Cambará, Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais e Piraquara), Rondônia (Porto Velho), Rio Grande do Norte (Mossoró), Roraima (Boa Vista), Minas Gerais (Uberaba), Mato Grosso do Sul (Dourados e Campo Grande), e São Paulo (Presidente Bernardes, Presidente Venceslau, Lins, Mairiporã, Ubatuba e São Paulo). Uma pessoa foi presa em flagrante por tráfico de drogas.

Dezoito presos foram encaminhados para o sistema penitenciário federal e dez para o sistema comum. Três mandados não foram cumpridos. “No presídio federal eles não tem como manter nenhum tipo de comunicação ou de ordens aos seus subordinados, pelo menos diminui bastante por não ter a possibilidade de visita social”, explicou o delegado Purper.

O nome da operação policial faz referência a jogada de xadrez que tem por objetivo impedir a movimentação de peças do adversário em uma partida.

Os investigados vão responder pelos crimes de organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e o comércio ilegal de drogas, tráfico de armas, tortura e homicídios. As ordens judicias foram deferidas pela Vara Criminal de Piraquara.

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