PF prende dois em desdobramento de investigação sobre desvios no PAC

Fernando Garcel


A Polícia Federal (PF) cumpre três mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e uma condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, desde a manhã desta terça-feira (3) na segunda fase da Operação Pecúlio, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

A operação da PF investiga irregularidades em processos licitatórios de prestação de serviço e o desvio de quantias milionárias de recursos públicos federais, entre eles do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros. Um dos alvos do mandado de prisão preventiva é o secretário de Obras da prefeitura Carlos Juliano Budel. O alvo do segundo mandado de prisão preventiva ainda não foi revelado.

De acordo com a Controladoria Geral da União (CGU), ao menos R$ 4 milhões em contratos fraudulentos entre a prefeitura de Foz do Iguaçu e empresas da região foram desviados. “Restrições de competição e outras fraudes formais e contratuais; irregularidades que comprometeram a execução contratual; e irregularidades relacionadas com prejuízo ao Erário (como superfaturamento, por exemplo). Foi identificada, ainda, participação de pessoas ligadas à Administração Municipal em empresas, por meio de interpostas pessoas que mantêm importantes contratos com o município”, diz o comunicado da CGU.

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Operação

Na deflagração da operação, em 19 de abril, foram expedidos 84 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva, dez de prisão temporária, 51 de busca e apreensão e 19 de condução coercitiva. O prefeito da cidade Reni Pereira (PSB) foi conduzido coercitivamente e R$ 120 mil foram apreendidos em sua residência.

Em coletiva de imprensa, Pereira negou possíveis irregularidades em obras e licitações do município. “Nós vamos fazer uma avaliação em cima do que foi noticiado pela operação. Vamos fazer uma avaliação administrativa, uma revisão desses contratos para eventualmente, ou não, confirmar isso que está sendo investigado. Até o momento não tinha nenhuma irregularidade e vamos verificar se efetivamente tem irregularidade. Não é o fato de estarem investigando que já está comprovada a irregularidade”, argumentou.

Na primeira fase foram presos preventivamente o diretor regional da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) Rodrigo Becker; o ex-secretário municipal de Tecnologia da Informação de Foz, Melquisedeque Souza; e os empresários Nilton Becker – que seria ligado a empreiteiras que atuam no município e Euclides de Morais Barros Júnior – proprietário de uma empresa de desenvolvimento de software. Todos os demais já foram liberados.

Melquisedeque já havia sido preso em setembro do ano passado, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-MP), acusado de fraudes no recolhimento de impostos, falsificação de documentos e falsidade ideológica na transferência de imóveis.

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