PF e Receita desarticulam quadrilhas que traficavam cocaína para a Europa

Carregamentos de cocaína a países da Europa eram enviados por meio do Porto de Paranaguá; investigados possuem vínculo direto com a máfia italiana

Redação - 24 de março de 2022, 07:52

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagram nesta quinta-feira (24) duas operações contra quadrilhas especializadas no tráfico de cocaína do Brasil para a Europa.

Segundo a PF, são cumpridos 17 mandados de prisão e 86 mandados de busca e apreensão para cumprimento no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

No estado, os trabalhos são conduzidos em Paranaguá, Curitiba, Matinhos, Morretes, São José dos Pinhais e Pontal do Paraná.

Também foram decretadas medidas patrimoniais de sequestro de imóveis, bloqueio de bens e valores existentes nas contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados, que totalizam um valor estimado de aproximadamente R$ 55 milhões. A polícia não descarta que haja a identificação e o bloqueio de outros bens vinculados aos integrantes das Organizações Criminosas no decorrer dos trabalhos.

Conforme as investigações das operações Retis e Spiderweb, os criminosos se utilizavam de métodos variados para promover a remessa dos carregamentos de cocaína a países da Europa, por meio do Porto de Paranaguá. Entre elas, está a inserção da droga por mergulhadores em compartimento submerso do navio (“sea chest”), a ocultação em contêineres sem conhecimento do exportador, modalidade conhecida internacionalmente como “RIP ON-RIP OFF”, ocultação no maquinário refrigerador dos contêineres, acondicionamento dissimulado da droga no interior de cargas lícitas de madeira, suco de laranja, açúcar, entre outras.

No decorrer das investigações, que iniciaram em 2019, foram realizadas 80 apreensões no Brasil e no exterior que totalizam, aproximadamente, 21 toneladas de cocaína. 

Durante os trabalhos foram realizados dois procedimentos de entrega controlada em conjunto com a França, que proporcionaram às autoridades daquele país a oportunidade de acompanhar o recebimento da cocaína em solo europeu, com a identificação do grupo criminoso responsável pela retirada da droga no Porto de Le Havre, resultando na prisão dos envolvidos e apreensão de pistolas e fuzis, além da droga remetida.

Ligação com a máfia italiana

Os agentes da Polícia Federal e da Receita Federal apuraram que as Organizações Criminosas investigadas possuem vínculo direto com a máfia italiana, especificamente com uma organização mafiosa constituída na região da Calábria, que contrata a logística executada pelos investigados em Paranaguá para enviar os carregamentos de cocaína até os portos da Europa, em especial o porto italiano situado na região na qual detém predomínio nas ações criminosas.

As quadrilhas que são alvos da operação de hoje também se caracterizam pela extrema violência empregada em suas ações, havendo a constatação do envolvimento de  seus integrantes em homicídios, inclusive o líder de um destes grupos foi executado a tiros.

O trabalho é um desdobramento da Operação Enterprise, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2020 em diversos estados do país e no exterior para combater um conglomerado de Organizações Criminosas que atuavam no tráfico internacional de drogas. A investigação deflagrada hoje recai sobre membros operacionais que atuam, em especial, no depósito, transporte, e inserção de cocaína nos contêineres e “sea chest” de navios com destino à Europa.

Os investigados na operação deflagrada hoje responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, com penas que podem chegar até 25 anos de reclusão para cada ação perpetrada, bem como pelos crimes de pertinência a organização criminosa e associação para fins de tráfico, que podem chegar a 24 anos de reclusão.