Pirâmide financeira: sócios acusados de aplicar golpe de R$ 30 mi são presos no PR

Lucas Gabriel Marins

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Três sócios da Wolf Trade Club, empresa de Curitiba (PR) que prometia lucro de até 50% em cima de investimentos, se entregaram à PCPR (Polícia Civil do Paraná) nesta sexta-feira (18). Eles estavam foragidos desde quarta-feira (16), dia em que a polícia fez uma operação na capital paranaense e prendeu outros dois sócios, além de quatro funcionários. Um dos donos ainda está foragido.

O grupo, segundo a investigação, é suspeito de aplicar um golpe de pirâmide financeira que pode ter gerado prejuízo de R$ 30 milhões a cerca de 200 clientes. Muitas vítimas, de acordo com a polícia, venderam carros, imóveis e pegaram dinheiro guardado por anos para investir na empresa.

Foram presos temporariamente Lucas Bubniak (presidente e fundador), Gabriel Maximiano Picancio (diretor de Tecnologia) e Gabriel de Mello Graminho (vice-presidente e diretor de Operações). Caique Marques Fontana (diretor de Marketing) é o único que ainda não foi encontrado.

EMPRESA JÁ FOI LEGAL, MAS COMEÇOU A ATUAR À MARGEM DA LEI DEPOIS DE UM TEMPO, DIZ DELEGADO

De acordo com o delegado André Gustavo Feltes, responsável pela investigação, a empresa, quando foi fundada no final de 2017, ofertava apenas cursos sobre o mercado financeiro, o que era uma atividade legal.

“A partir de certo momento, no entanto, os sócios começaram a pegar o dinheiro dos clientes para investir. Foi a partir dessa mudança que eles passaram a atuar à margem da lei, já que não tinham autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para atuar”, disse.

A CVM, órgão regulador do mercado financeiro, emitiu um alerta em julho deste ano proibindo a empresa e os sócios de exercerem qualquer atividade no mercado de valores mobiliários, já que não tinham autorização. A multa pelo descumprimento da regra seria de R$ 5 mil por dia.

A defesa dos três sócios presos hoje informou, por meio de nota, que não vai comentar a prisão, pois o delegado não “autorizou qualquer acesso aos autos do inquérito policial”.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA?

Segundo a investigação, os membros ofereciam investimentos com retornos financeiros de 20%, 30% e até 50% em três meses. A lucro, superior a qualquer investimento tradicional, seria obtido por meio de compras e vendas diárias na Bolsa de Valores, operação conhecida como day trade.

A quadrilha também pedia para os investidores chamarem conhecidos, amigos e parentes para participar do esquema, com a promessa de pagar a eles uma porcentagem de 10% em cima de cada indicação.

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, disse à reportagem do Paraná Portal que resolveu investir na empresa por causa da recomendação de um amigo de trabalho. “Esse colega, que diz viver só de investimentos, falou para mim que era algo confiável e eu acreditei. Outros amigos também investiram”.

O investidor, que é de São Paulo, tirou R$ 30 mil de uma aplicação que rendia 1,1% ao mês para colocar na Wolf Trade Club, com a promessa de receber oito vezes mais.

BMW, RELÓGIOS DE LUXO E ARMAS DE FOGO FORAM APREENDIDAS PELA POLÍCIA

Mais de 20 mandados de prisões e apreensões foram cumpridos na quarta-feira (16). Na operação, foram detidos os sócios Henrique Medes (diretor de Expansão da empresa e Hugo Felix da Silva (vice-diretor de Expansão), além de outros quatro funcionários da empresa, entre eles o sogro do presidente da Wolf Trade Club.

A PCPR também apreendeu duas BMW 500, avaliadas em R$ 100 mil, relógios de luxo, armas de projeteis de munição. Segundo o delegado Gustavo Feltes, também foi pedido o bloqueio das contas dos suspeitos e o sequestro de outros veículos e imóveis.

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