PM confirma afastamento de policiais envolvidos na morte de Ruhan

Fernando Garcel


O Coronel Antônio Zanatta, chefe de Estado Maior da Polícia Militar, confirmou o afastamento dos policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte do estudante Ruhan Luiz Machado, de 20 anos, na última segunda-feira (22), no bairro Cajuru, em Curitiba.

Em coletiva, Zanatta explicou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto paralelamente às investigações da Polícia Civil e que a PM não compactua com desvios de conduta de policiais.

“Nós não compactuamos com desvios de conduta da nossa tropa. Estamos agindo de forma muito firme e transparente, abrindo um inquérito policial militar para ouvir todas as partes envolvidas e no fim desse inquérito poderemos saber quais foram as atitudes dos policiais militares e das testemunhas. Eles estão afastados do serviço operacional”, explica o coronel. Além do afastamento, os policiais serão submetidos a exames psicológicos, como já é de praxe nessas situações.

A família do jovem defende a tese de que a vítima foi executada pelos policiais com, pelo menos, cinco tiros na cabeça na casa de um primo e que ele não teria envolvimento com drogas e armas. Na versão da PM, os policiais estariam em diligência pela região em que um corpo foi encontrado, abordaram jovens em uma casa e afirmam que ele chegou a atirar contra a equipe.

Segundo a mãe de Ruhan, Suzete Zaira dos Santos, os policiais não deixaram que familiares reconhecessem o corpo da vítima e que a cena foi forjada pelos policiais.

“Entraram atirando. Acertaram meu filho no primeiro tiro. Eles precisaram forjar para explicar o porque entraram atirando. Foi ai que começou a criação desse cenário… drogas e arma que não foram apresentadas para imprensa e que segundo eles foram encontradas na casa. Não permitiram que a família entrasse no local nem para reconhecer o corpo do meu filho”, diz a mãe.

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A tia de Ruhan, Jucelene Zoara, afirma que o sobrinho gritou por socorro. Ela afirma que a família se mobilizou rapidamente para saber o que estava acontecendo. “Eles deram um tiro na perna do Ruhan e deixaram ele agonizando e depois deram mais cinco tiros na cabeça. Não chamaram socorro. Não permitiram que a família entrasse para socorrer. No primeiro tiro, o pai e a irmã que moram ali do lado, colados praticamente, ouviram os gritos do Ruhan. Ele disse ‘meu CPF é tal, meu RG é tal, a minha tia mora aqui do lado’ e a polícia o executou. Não houve abordagem. Não houve confronto”, afirma.

Ruhan não tem antecedentes criminais. De acordo com a família, ele trabalhava com o pai em uma construtora, havia passado no vestibular para o curso de Direito, mas não tinha como pagar, mesmo tendo conseguido bolsa de 50% desconto. Tinha planos para tentar a bolsa de 100% a partir do próximo Enem. A tia conta que o rapaz tinha acabado de passar em casa antes de morrer.

Sobre os disparos na cabeça, o Coronel Antônio Zanatta afirmou que não vai se manifestar para não prejudicar a realização do inquérito policial militar.

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