VÍDEO: Policial age de forma agressiva contra mulher após ato em Curitiba: “maldita”

Vinicius Cordeiro

Em nota enviada ao Paraná Portal, a Polícia Militar disse que abrirá procedimentos para apurar as condutas individuais de policiais que atuaram na manifestação de Curitiba.
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Um policial militar foi flagrado em um vídeo xingando manifestantes, entre eles uma mulher, de vagabundos em Curitiba. O vídeo, feito por um morador da região, mostra o militar exaltado em relação aos colegas na noite desta segunda-feira (1), quando a PMPR (Polícia Militar do Paraná) interveio em atos de vandalismo registrados após o encerramento da manifestação antirracista.

“Demônia. Cambada de vagabundo. Vão pra casa, trabalhar e estudar. Maldita. Tamo aqui vendo vocês. Cambada de f** da **. Queimar e apedrejar pode”, dispara o policial, perseguindo a mulher na Rua Richuelo, perto da esquina com a Rua Treze de Maio.

Depois dos gritos em direção à mulher, ele se aproxima dos outros policiais e entra na viatura. O registro ainda mostra gritos contra o presidente Jair Bolsonaro (partido) e contra a Polícia Militar.

Os organizadores da manifestação antirracista avaliam que o ato foi um sucesso e que o vandalismo feito nas ruas de Curitiba “representa a presença organizada de infiltrados que desejam a criminalização do movimento”. No entanto, ainda apontaram que a “força excessiva” da PM “demonstra a incapacidade de diálogo e a opção pela agressão”.

Segundo eles, a manifestação reuniu muitas pessoas que se comportaram e criaram um ambiente de esperança por dias melhores.

O posicionamento foi assinado pelo Movimento Feminista de Mulheres Negras, Bando Cultural Favelados da Rocinha Favela, União da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos, J23 – Juventude do Cidadania, Rede nenhuma Vida a Menos, Apoio do Grupo Dignidade e da Aliança Nacional LGBTI+ e Coletivo Enedina da UTFPR.

Hoje, o reitor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Marcelo Ricardo Fonseca, repudiou o vandalismo registrado em Curitiba e disse que a “universidade não compactua e jamais compactuará com violência”.

PM ABRIRÁ PROCEDIMENTOS PARA APURAR RESPONSABILIDADE

Em nota ao Paraná Portal, a Polícia Militar disse que abrirá procedimentos administrativos para apurar as condutas individuais de policiais militares que atuaram na manifestação de Curitiba.

“O 1° Comando Regional da PM (1°CRPM) informa que com relação as condutas individuais de policiais militares que atuaram na manifestação desta segunda-feira  (1°/06) serão abertos procedimentos administrativos para apurar a responsabilidade de acordo com o ato praticado”, diz trecho do texto.

Além disso, a PM declarou que só agiu quando as pessoas ultrapassaram o limite da ordem e do bom senso. Além disso, destacou que nenhuma pessoa se apresentou ferido pela ação de dispersão. Apenas um policial, atingido por uma pedra, precisou de atendimento médico.

“A PM reitera que as equipes estavam acompanhando a manifestação para a segurança dos próprios manifestantes e do cidadão, que respeita o direito ao protesto e só age quando o limite da ordem e do bom senso é ultrapassado. As equipes policiais reforçaram o policiamento nas vias do Centro da cidade para acompanhar a dispersão completa dos manifestantes e evitar mais danos ao patrimônio e vandalismo.

Leia a íntegra do posicionamento da Polícia Militar enviada ao Paraná Portal:

A Polícia Militar do Paraná acompanhou desde o início a manifestação desta segunda-feira (01/06) no Centro de Curitiba. Num primeiro momento, a PM se fez presente nas proximidades da concentração, na Praça Santos Andrade, para garantir, como de praxe, a segurança dos manifestantes e dos cidadãos que circulavam pela região central a pé ou de veículo. Inicialmente eram cerca de 600 pessoas, as quais deslocaram-se, já no início da noite, sentido Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico. Ao chegar lá o grupo já somava cerca de 1,2 mil pessoas.

Já em frente ao Palácio Iguaçu, o comportamento de alguns componentes do grupo começou a mudar, os quais passaram fazer incitação, direcionando ao vandalismo. Neste momento tentaram entrar no Palácio Iguaçu, passaram a arremessar pedras contra o edifício e arrancaram a bandeira do mastro, rasgaram e queimaram parte dela.

Em seguida, com a presença da PM para conter os atos de depredação, eles começaram a fazer o sentido inverso (Centro da cidade), pela Avenida Cândido de Abreu, cometendo outros atos de vandalismo, desta vez contra agências bancárias, incluindo a Junta Comercial e o Fórum Cível, pontos de ônibus, atirando pedras contra o patrimônio público e privado e incomodando pedestres e motoristas que circulavam pelo local.

Durante o momento mais crítico de depredação, a PM fez uso moderado da força para dispersão. Nas ações foram identificadas e detidas sete pessoas (uma delas mulher) por depredação e vandalismo, as quais foram encaminhadas para o Centro de Operações Policiais Especiais (COPE). Em frente ao palácio, a PM também encontrou alguns miguelitos (peças feitas com pregos ou grampos e utilizados para furar pneus de veículos).

Até o fim do acompanhamento policial nenhuma pessoa se apresentou ferido pela ação de dispersão. Um policial ficou ferido. A PM também está fornecendo à autoridade policial as imagens feitas e informações levantadas, as quais poderão auxiliar na investigação.

A PM reitera que as equipes estavam acompanhando a manifestação para a segurança dos próprios manifestantes e do cidadão, que respeita o direito ao protesto e só age quando o limite da ordem e do bom senso é ultrapassado. As equipes policiais reforçaram o policiamento nas vias do Centro da cidade para acompanhar a dispersão completa dos manifestantes e evitar mais danos ao patrimônio e vandalismo.

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