Polícia conclui inquérito e indicia três pessoas pela morte de advogado em posto de Curitiba

Redação

Empresário é apontado pela polícia como autor intelectual do crime e dois dos três atiradores foram presos.
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A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta segunda-feira (22) o inquérito que investigou as mortes do advogado Igor Martinho Kalluf, de 40 anos, e Henrique Mendes Neto, 38, no dia 11 de junho, feriado de Corpus Christi. Os dois foram assassinados com pelo menos cinco disparos em um posto de combustível de Curitiba. Os três suspeitos foram indiciados por duplo homicídio quadruplamente qualificado.

Para a polícia, o duplo homicídio foi motivado por uma dívida de R$ 480 mil por parte de um empresário referente a pedras preciosas. Kalluf teria sido contratado pelo ourives para fazer a cobrança desse valor e Henrique foi morto por estar junto com o advogado no posto.

“Entendemos que, de fato, o empresário foi o autor intelectual do crime porque levou três pessoas armadas, inclusive com calibre .40, exclusivo das forças de segurança, e depois buscou os mesmos”, diz a delegada Tathiana Guzella.

Contudo, até o momento, a polícia prendeu três dos quatro suspeitos. O primeiro deles foi o empresário, detido na residência da sua mãe, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, no dia 12 de junho. Já dois dos atiradores são irmãos e foram presos seis dias após o crime. No entanto, o último atirador ainda não foi identificado pela polícia.

O inquérito finalizado será encaminhado ao Ministério Público. As apurações da Polícia Civil podem servir de base para uma eventual denúncia criminal. Ainda segundo a PCPR, uma eventual investigação sobre as pedras preciosas envolvidas pode ser iniciada pela Polícia Federal.

EMPRESÁRIO MENTIU E SUSPEITOS NÃO COLABORARAM, DIZ DELEGADA

De acordo com a delegada Tathiana Guzella, nenhum dos três indiciados colaborou com as primeira parte das investigações sobre as mortes de Igor Kalluf e Henrique Mendes Neto. Enquanto os dois atiradores permaneceram em silêncio, por orientação dos advogados, o empresário apresentou diversas controvérsias.

“Ele não facilitou em absolutamente nada. No segundo interrogatório, ele admite que mentiu e que isso teria sido por recomendação pelo advogado que o acompanhava no primeiro momento”, relata.

Conforme a polícia, uma das mentiras do empresário é que, no primeiro interrogatório, ele afirmou que não viu mais os atiradores após ter saído do posto de combustível.

“Acreditamos que ele tenha mudado a versão depois do descobrimento das câmeras que demonstram que ele apanhou os três homens armados após o crime porque ele tinha dito que não tinha visto nenhum deles mais”, completa Guzella.

Um dos fatos apurados é que um dos atiradores trabalhou como vigia, no ano passado, em um estabelecimento do empresário. A informação foi dada pelo próprio suspeito.

ADVOGADO QUE ABRIU AÇÃO CONTRA MORO MORRE EM POSTO DE CURITIBA

Igor Martinho Malluf foi executado a tiros em posto de combustível de Curitiba. (Reprodução/Facebook)

No dia 11 de junho, o advogado Igor Martinho Kalluf, de 40 anos foi a um posto de gasolina, localizado na Avenida Vicente Machado, em Curitiba, com Henrique Mendes Neto. Os dois foram alvejados por pelo menos cinco tiros após uma discussão. Os atiradores entraram na loja de conveniência e os executaram, conforme a polícia, após um aval do empresário, que nega o fato.

Kalluf apresentou uma ação para que o ex-ministro Sergio Moro fosse investigado em 2019. Na ocasião, ele integrou o pedido do grupo Advogados do Brasil, que tinha como base as reportagens do Intercept, que foi protocolado na PGR (Procuradoria-Geral da República). Contudo, a polícia descartou a relação no dia seguinte à morte de Igor e Henrique.

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