Polícia investiga ação criminosa na explosão em Bocaiúva do Sul

Duas linhas de investigação estão sendo apuradas pela Polícia Civil no caso da explosão de um caminhão com oito tonelada..

Mariana Ohde - 10 de outubro de 2016, 11:13

Duas linhas de investigação estão sendo apuradas pela Polícia Civil no caso da explosão de um caminhão com oito toneladas de dinamite, no sábado (8), em Bocaiúva do Sul, região metropolitana de Curitiba.

A explosão foi sentida e ouvida por moradores de várias cidades vizinhas. O dono da fábrica acabou sendo preso, ainda no sábado, por causa dos danos causados.

A principal suspeita é a de que a ação tenha sido criminosa: acredita-se que ela possa ter sido motivada por uma disputa entre o dono e o ex-sócio da empresa de explosivos Explopar ou, ainda, que ladrões tenham detonado as dinamites após um roubo.

É o que relata o delegado Mário Sérgio Bradock, responsável pela condução do caso. "Segundo informações, estava havendo uma disputa entre os sócios. São dois sócios nessa empresa. E, há dez dias atrás, este que está preso teria comprado a parte do outro sócio. É muito cedo para dizer ainda. Pode também ser a ação de ladrões que entraram pelos fundos da fábrica, levaram uma quantidade X e resolveram detonar o resto", afirma.

Quanto à prisão do proprietário, o delegado esclarece que foi baseada nos crimes de dano ao patrimônio público, dano ao patrimônio particular, crime ambiental e exposição das pessoas a risco de morte. "Se houve incêndio criminoso foi porque já faltava segurança na fábrica. Tanto é que a gente já foi alertado, há um mês, que não tinha segurança nenhuma lá", conta Bradock.

Após a explosão

O coordenador da Defesa Civil em Bocaiúva do Sul, André Rego, relata que 150 pessoas seguem desalojadas por causa dos estragos que atingiram um raio de 2 kg. Por sorte, ninguém morreu.

"A cidade vai se recuperar, com certeza, o pessoal aqui tem uma capacidade de resposta muito grande. Tanto que já tem muitas casas que já estão cobertas, estão com telhas novas. O pessoal está trabalhando", conta. Segundo André, neste domingo (9), o trabalho foi focado no atendimento às vítimas e levantamento de informações.

"É até impressionante, pela magnitude do evento, a gente não ter nenhum óbito. Foram aproximadamente entre 25 e 30 pessoas que foram atendidas no hospital, mas com ferimentos leves", afirma.

A polícia deve solicitar à Justiça o bloqueio dos bens do proprietário, para garantir o pagamento de indenização às famílias afetadas e para as multas ambientais. A prioridade, agora, é remover as cerca de 60 toneladas de explosivos que permanecem no local.

Roubo de explosivos

Há pouco mais de 20 dias, 105 kg de dinamite foram furtados da empresa. Segundo a Polícia Civil, o Exército - órgão responsável pela fiscalização - deu um prazo para que o dono da fábrica fizesse adequações no local, devido à vulnerabilidade das instalações. No entanto, ele ainda não havia cumprido a exigência, o que teria facilitado a entrada de desconhecidos.

Resposta da empresa

Por meio de nota, a Explopar se defende. A companhia esclarece que, estabelecida há mais de 22 anos no município, sempre cumpriu com as obrigações exigidas pelas autoridades competentes.

O comunicado explica que a empresa tem todos os alvarás e licenças necessárias para o funcionamento. Diz, ainda, ter certeza de que a explosão foi resultado de uma ação criminosa.