Polícia faz operação para prender quadrilha que lesava investidores de bitcoins no País

Ana Cláudia Freire

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Desde as primeira horas da manhã desta quinta-feira (05), a  PCPR (Polícia Civil do Paraná) está nas ruas para cumprir 62 mandados judiciais na operação que mira uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes a investidores de bitcoins, por meio de uma empresa com sede em Curitiba.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 bilhão, entre o dinheiro investido pelas vítimas e a promessa de rendimento feita pelos criminosos.

Mais de 50 policiais civis estão nas ruas de Curitiba, Pinhais, Piraquara, Pontal do Paraná e no estado de São Paulo. Ao todo são 11 mandados de prisão temporária, 11 de busca e apreensão, 16 de bloqueio de contas bancárias e 24 de sequestro de veículos. Além do Paraná, há vítimas em Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Amapá e no estado do Maranhão.

Segundo a investigação, o golpe era operado através de e-mails e mensagens instantâneas por aplicativo. As vítimas geralmente tornavam-se alvos dos suspeitos após serem recomendados por terceiros, geralmente pessoas de confiança, a investir em bitcoins através da referida empresa.

Uma das vítimas afirmou que um dos suspeitos, responsável por angariar investidores, prometia rendimentos de 3% a 4% ao dia. O golpe se efetivava quando as vítimas transferiam o dinheiro para contas bancárias gerenciadas pelos suspeitos.

O delegado Emmanoel David, da Delegacia de Estelionatos, explica que os investidores acreditam que estavam lucrando com as criptomoedas e que vários familiares dos golpistas também foram vítimas da quadrilha. “A promessa era de de um lucro de 3% ao 4% de juros compostos ao dia. É difícil no mercado financeiro nós conseguirmos um lucro de 3% a 4% ao mês, ao dia então é um negócio da China”, afirmou o delegado.

O delegado disse ainda que quadrilha estima mais de 4 mil vítimas em todo o país. “Das pessoas que nós ouvimos, das vítimas, tinha gente que  investia R$ 200 mil pra cima e até pessoas que investiram R$ 5 mil, R$ 2 mil, R$ 500. Há pessoas refinanciaram apartamentos, que venderam veículos, refinanciaram veículos. Há uma vítima que é parente de um dos golpistas que fez empréstimo nos EUA onde os juros é menor que os juros daqui, porque valeria a pena se endividar lá pra lucrar aqui”.

PIRÂMIDE

O delegado explicou ainda que esquema é muito parecido com o esquema de “pirâmide”, golpe bastante utilizado aqui no país nas décadas de 70 e 80. “Para ter algum ganho o angariador tinha que trazer investidores, algumas pessoas acabavam ganhando no início do negócio, mas não havia lucro para quem estava no fim da pirâmide, sem pessoas entrando, o golpe não se sustentou”, disse o delegado.

A PCPR infirmou ainda que os estelionatários receberam nas contas cerca de R$ 70 milhões. Parte desse dinheiro foi encaminhado para uma pessoa jurídica em São Paulo que está sendo investigada. Outra parte foi usada para compra de imóveis e carros, que são alvos da operação de hoje. “Se eles fossem pagar hoje os investidores, teriam que pagar aproximadamente R$ 1,5 bi, totalmente inviável, o que mostra o crime de estelionato. Estamos tentando buscar valores para o ressarcimento das vítimas”, disse o delegado.

O indício de que a operação era um golpe foi constatado quando as vítimas receberam uma mensagem da empresa, informando que em um prazo de seis meses os investidores não poderiam fazer saque. A justificativa era de que a empresa teria sido vítima de uma fraude de cerca de R$ 20 milhões na Argentina. Porém, ao final do período, os criminosos voltaram a prorrogar o prazo.

A investigação já chegou a identificar 500 vítimas dos criminosos, mas a estimativa é que o número possa chegar a cinco mil. O grupo criminoso é investigado por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular.

Carros apreendidos na operação da PCPR. (Divulgação)

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Jornalista - Chefe de Redação do Paraná Portal