Polícia vai pedir a exumação dos dois sem-terra mortos no confronto com a PM

Fernando Garcel


A Polícia Civil vai formalizar um pedido à Justiça de exumação dos corpos dos dois sem-terra mortos em um suposto confronto com policiais militares nas terras da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, no oeste do Paraná, no dia 7 de abril.

A exumação dos corpos de Leonir Orback, de 25 anos, e Vilmar Bordin, 44 anos, deve servir para tirar dúvidas sobre as mortes. A defesa dos dois membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma que uma das vítimas teria sido executada com um tiro. Na primeira análise, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que os dois foram mortos com apenas um tiro, um na região frontal e outro nas costas, sendo que em um dos corpos o perito encontrou apenas o orifício da entrada do disparo.

Segundo o delegado Adriano Chohfi, a partir de agora, o papel da Polícia Civil é buscar as provas com transparência. “Ninguém está duvidando do laudo médico. É uma segunda prova para que as dúvidas sejam esclarecidas já que o MST está suscitando este tipo de dúvida”, diz.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) apura a conduta dos seis policiais militares que participaram do confronto. No local, a PM disparou 128 tiros. Quatro atingiram as vítimas levando duas à óbito e outros dois ficaram feridos.

Confronto

Versão da PM

Na versão da PM, duas equipes foram até o local, de dificil acesso, após terem sido acionados para apagar um incêndio. Eles estavam na companhia de funcionários da empresa e teriam sofrido uma emboscada.

“Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar ao local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, diz uma nota publicada ontem pela Secretaria de Segurança Pública. “Mais de 20 pessoas do MST estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque”.

Dois sem-terra foram presos e duas armas foram apreendidas pela PM.

Versão do MST

A coordenação estadual do MST afirma que não havia incêndio, e que os integrantes do movimento só foram até uma área de mata fechada para descobrir quem estava no local, quando foram atacados. Segundo o MST, a Polida Militar não costumava ir até a área, o que causou surpresa. “Saíram do mato já disparando”, disse Rudimar Moisés.

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