Policiais civis aderem à greve dos servidores e cruzam os braços na segunda-feira

Fernando Garcel


Os agentes da Policia Civil do Paraná decidiram na noite desta sexta-feira (14), em assembleia em Curitiba, pela adesão à greve do funcionarismo público e cruzam os braços a partir de segunda-feira (17). A categoria exige a reposição da inflação e a contratação de mais policiais, além do fornecimento de coletes à prova de bala e outras demandas especificas da classe.

De acordo com o Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), a paralisação segue por tempo indeterminado. Durante a semana, a greve já havia sido votada por agentes do interior do estado.

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A partir de segunda-feira, as delegacias vão funcionar com apenas 30% do efetivo, conforme estabelece a lei, e somente os casos mais graves serão atendidos, como flagrantes e crimes contra a vida. Para amenizar o impacto à população, serviços como o boletim de ocorrência em caso de perda, furto ou extravios de documentos podem ser feitos pela Delegacia Eletrônica do Paraná.

Além do reajuste salarial, a categoria protesta pelo fornecimento de novos coletes à prova de balas, o aumento de efetivo policial e o fim da dupla função com o cuidado com à custódia dos presos que estão nas delegacias.

De acordo com o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez, muitos policiais exercem dupla função e chegam a trabalhar além da carga horária prevista, sem receber hora extra. Segundo ele, cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz Gutierrez.

Em agosto, a categoria fez uma paralisação simbólica para reivindicar melhores condições de trabalho e doaram sangue em todo o Paraná.

Procurada, a assessoria de imprensa da Policia Civil não se manifestou sobre a decisão da deflagração da greve dos agentes. O posicionamento deve ocorrer a partir de segunda-feira (17).

Greve do funcionarismo público no Paraná

O movimento de agentes de operações, escrivães, investigadores e papiloscopistas soma à paralisação dos professores da rede estadual de ensino que também foi anunciada para segunda-feira (17).

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No caso dos docentes, além dos ajustes salariais, a categoria iniciou o movimento de greve em protesto contra a emenda da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhada pelo governador Beto Richa (PSDB) para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que retira o reajuste da categoria previsto para janeiro de 2017. A promessa de reposição salarial foi feita para acabar com a greve dos servidores, que aconteceu no ano passado, durou 44 dias e ficou marcada pela violência do dia 29 de abril.

Na última quarta-feira (13), a tramitação do projeto de lei que congela os salários dos servidores estaduais foi suspensa pelo governo do estado, mas a categoria dos professores manteve a paralisação até que emenda seja retirada.

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