Policiais civis declaram estado de greve e prometem paralisação para agosto

Fernando Garcel


Os policiais civis do estado do Paraná entraram em estado de greve após assembleia da categoria com o Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), em Curitiba, na quarta-feira (20). A mobilização é um protesto para reivindicar melhores condições de trabalho e aumento urgente do efetivo atual.

A categoria notificou a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP) de que não vão mais executar atividades carcerárias, que fogem das atribuições previstas na lei.

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De acordo com o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez, muitos policiais exercem dupla função e chegam a trabalhar além da carga horária prevista, sem receber hora extra. Segundo ele, cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz Gutierrez.

Segundo Gutierrez, as delegacias do Paraná abrigam cerca de 10 mil presos. Destes, grande parte já foram julgados e condenados e deveriam estar em presídios e em casas de custódia. Como fazem trabalhos relacionados aos cuidados com os presos, o atendimento à população, investigações ficam em segundo plano. “Nós não estamos atendendo ao cidadão por essa inércia, não só do Executivo, mas também do Judiciário e do Ministério Público, em ver que essas ilegalidades estão ocorrendo e todos se reunir para resolver o problema”, diz o representante da categoria.

Além de orientar que os servidores apenas trabalhem com as atividades previstas em lei e na carga horária prevista, o sindicado da categoria também orienta que as viaturas sem condições de uso, com pneus carecas ou com IPVA e Seguro DPVAT em atraso, não sejam mais utilizadas.

Em nota, a SESP informa que mais de 1,2 mil servidores contratados por processo de seleção simplificada (PSS) começaram a trabalhar na quinta-feira (21).

Paralisação

No dia 1º de agosto, a paralisação deve afetar todas as delegacias do Paraná. Os policiais devem fazer uma campanha de doação de sangue e, em seguida, decidem as ações para as semanas seguintes, com a possibilidade de greve enquanto não houver um acordo com o governo estadual. A Secretaria de Segurança Pública foi procurada e deve se manifestar por meio de nota ainda hoje.

Com informações da BandNews FM Curitiba
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