Policiais civis fazem nova paralisação em todo o estado

Redação


Com TV Tarobá Londrina

Os policiais civis do Paraná, organizados pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol-PR), voltaram a cruzar os braços nesta quarta-feira (10). Desta vez, o protesto deve durar 48 horas e somente situações com flagrante serão atendidos nas delegacias.

De acordo com o comunicado do Sinclapol, esses dois dias serão usados para fazer a devolução de coletes balísticos vencidos na sede da Divisão de Infraestrutura (DIE) da Polícia Civil do Paraná, tendo em vista que os agentes devem receber cerca de 7.800 novos coletes e outros dois mil equipamentos da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) nos próximos dias.

> Policiais civis cruzam os braços e doam sangue em protesto por maior efetivo

Segundo a organização que defende os agentes, a nova paralisação também visa pressionar o governo do estado para apresentar soluções definitivas para o aumento de efetivo em todas as regiões. De acordo com o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez, muitos policiais exercem dupla função e chegam a trabalhar além da carga horária prevista, sem receber hora extra. Segundo ele, cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz Gutierrez

Além do aumento de efetivo e das funções exercidas, os servidores também questionam o número de presos em delegacias do Paraná. De acordo com Gutierrez, as delegacias do Paraná abrigam cerca de 10 mil presos. Destes, grande parte já foram julgados e condenados e deveriam estar em presídios e em casas de custódia.

Como fazem trabalhos relacionados aos cuidados com os presos, o atendimento à população, investigações ficam em segundo plano. “Nós não estamos atendendo ao cidadão por essa inércia, não só do Executivo, mas também do Judiciário e do Ministério Público, em ver que essas ilegalidades estão ocorrendo e todos se reunir para resolver o problema”, diz o representante da categoria.

Em relação à custódia dos presos, a Sesp informou aos representantes do sindicato que estão sendo realizadas 14 obras de construção e ampliação de penitenciárias, sendo que dez dela devem ser entregues no ano que vem e as outras quatro em 2018, o que proporcionaria melhor estrutura. Também foi informado que, recentemente, foram contratados novos agentes penitenciários, que estão tomando posse. Ao todo, serão 2 mil novos agentes, que cuidarão, prioritariamente, dos presos que estão nas delegacias.

De acordo com a delegada e representante da Associação de Delegados da Polícia Civil do Paraná (Adepol-PR), Livia Pini, somente 53% dos cargos já existentes, previstos em lei, estão preenchidos no estado. Cabe ao Estado nomear os aprovados em concurso público para preencher e ocupar as vagas remanescentes de delegados.

Segundo Pini, entre 2011 e 2016, a Policia Civil teve um aumento de somente 47 delegados no Paraná e nesse período a população aumentou em 1,5 milhão.

Assista a entrevista:

 

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