Policiais fazem “vaquinha” para pagar advogado de PMs presos por chacina

Andreza Rossini


Um grupo de policiais militares organizou um movimento para apoiar os também policiais militares,  presos na última sexta-feira (13), suspeitos de participarem da chacina que deixou pelo menos 12 pessoas mortas e 11 feridas, em Londrina, no norte do estado, em janeiro deste ano.

A operação cumpriu sete mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento. Entre os investigados estão soldados da 4ª companhia da Polícia Militar. Seis policiais permanecem presos.

Reprodução/facebook
Reprodução/facebook

Uma página criada na rede social Facebook, chamada Militares PMPR, pede colaborações em dinheiro para pagar a defesa dos militares detidos. Segundo a postagem, o valor dos honorários está calculado em R$ 200 mil.  “Tal defesa se dará em todas as fases do inquérito policial e da ação penal, em todos os graus possíveis de jurisdição, bem como em eventuais procedimentos administrativos que, porventura, recaírem sobre eles”, diz o comunicado.

Vítima

Um dos sobreviventes da chacina relatou que recebe ameaças de policiais nas ruas frequentemente, e que os casos aumentaram após a prisão dos militares.

O Sindicato dos Jornalistas e a força-tarefa da investigação receberam uma carta-denúncia, que foi encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e à Comissão de Direito Humanos da Câmara do município. Trata-se do relato de uma testemunha que teria ouvido a conversa dos policiais após a chacina. A carta afirma que as mortes não tinham relação com o assassinato de um policial militar pouco antes das mortes, mas era a tentativa de assassinato de outro PM, segundo informações da TV Tarobá.

Associação de policiais

A Associação que representa os policiais e bombeiros militares do Paraná (Assofepar) acusa a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) de divulgar os nomes dos policiais militares suspeitos de participação na chacina em Londrina. A Assofepar diz que vai recorrer à Justiça e alega que ocorreram ilegalidades durante a prisão dos oito suspeitos de envolvimento no crime.

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O caso

Pelo menos 12 pessoas foram mortas entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano, em Londrina, no norte do estado, depois de um assassinato de um policial militar na zona norte da cidade. Além das mortes, as unidades de saúde do município registraram a entrada de pelo menos 16 pessoas baleadas no mesmo período.

A chacina teria acontecido como forma de retaliação a morte do policial militar.

Homens encapuzados invadiram residências e bares disparando a esmo, segundo testemunhas. Entre os mortos, pelo menos cinco tinham antecedentes criminais. No dia, alertas foram disparados pelo WhatsApp à população para que deixassem as ruas devido a um possível confronto entre a PM e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Quem matou os 20?”

Em abril, um grupo de ativistas da periferia de Londrina, norte do Paraná, pichou dois dos principais edifícios do centro da cidade, nessa quarta-feira (6), com a pergunta “quem matou os 20?”.  O manifesto faz referência às pessoas mortas no último final de semana de janeiro na maior chacina registrada na história do município de 550 mil habitantes, e a maior do Brasil em 2016.

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