Policiais militares relacionam excessos à falta de estrutura e pedem melhores condições de trabalho

BandNews FM Curitiba


Representantes de entidades de policiais militares do Paraná se reuniram hoje (05) para pedir melhores condições de trabalho ao governo do estado, e relacionaram os recentes casos de mortes causadas por PMs à falta de estrutura da corporação. A principal pauta da reunião era o pedido de reposição salarial dos policiais, que afirmam estar há quatro anos sem reajuste. Eles também se queixam de uma falta de estrutura crônica nos batalhões.

Para o coronel Isaías de Farias, presidente da Assofepar (Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Paraná), a falta de estrutura, com excesso de plantões e equipamentos sem manutenção, pode desaguar em eventuais erros da tropa. “Os policiais acabam trabalhando sob tensão, carga de trabalho, deficiência de equipamentos. O profissional tem mais probabilidade de incorrer em erros”, explica.

O coronel destacou que os policiais militares trabalham sob pressão, e que podem ir do heroísmo ao erro em questão de segundos. “Ele trabalha nos extremos. Em um momento, ele é herói, por salvar uma vida. Em outra, ele é responsabilizado por um erro”, disse.

Atualmente, pelo menos três casos que envolvem policiais militares estão em investigação no Paraná: a morte de um publicitário na Praça da Espanha, o assassinato de um motociclista na BR-277 por dois PMs e a morte de um jovem após perseguição policial em Toledo. Em todos eles, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil apuram a suspeita de excessos cometidos pelos oficiais.

O coronel Altair Mariot, presidente da Amai (Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais), defende que as investigações sejam conduzidas pela PM. “O policial em serviço, quando comete crime, está sujeito à legislação militar”, explica. “Está previsto na legislação, nós não podemos abrir mão”.

Os policiais presentes à reunião destacaram a falta de estrutura da corporação, que disseram ser crônica. O deputado estadual Soldado Fruet, que também é policial militar, disse que os policiais querem ser ouvidos pelo governo. “Somos a instituição que cuida da população paranaense”, disse. “Nós só queremos ser ouvidos”.

A Secretaria do Estado de Segurança Pública e a Polícia Militar foram procuradas, mas por enquanto, não se posicionaram sobre o assunto.

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