Policial que conduzia viatura a 138 km/h deve ser indiciado por homicídio com dolo eventual

O policial que conduzia a viatura da Polícia Militar que se envolveu em um acidente que deixou quatro pessoas mortas, no..

Fernando Garcel - 23 de outubro de 2018, 11:43

(Crédito: Ricardo Pereira/ BandNews FM)
(Crédito: Ricardo Pereira/ BandNews FM)

O policial que conduzia a viatura da Polícia Militar que se envolveu em um acidente que deixou quatro pessoas mortas, no dia 31 de julho, na Linha Verde, em Curitiba, deve ser indiciado pelo crime de homicídio com dolo eventual, segundo o delegado-titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), Vinicius Augustus de Carvalho. O colega que estava na viatura será indiciado por falso testemunho. Ontem, um laudo do Instituto de Criminalística do Paraná revelou que o veículo estava a 138 km/h na via em que a velocidade permitida é 70 km/h.

> Viatura da PM envolvida em acidente com quatro mortes estava a 138 km/h, aponta laudo

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (23), o delegado responsável pelo caso afirmou que aguarda a conclusão de um segundo laudo e a oitiva das últimas testemunhas para concluir o inquérito que deve ser encerrado amanhã.

Delegado-titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), Vinicius Augustus de Carvalho / Foto: Divulgação

"Diante das leituras, os peritos acabaram vendo que o veículo estava numa velocidade de 138 km/h, quando ele bateu no meio-fio estava a 89 km/h. Quando atingiu as pessoas que estavam no ponto de ônibus, ele estava a 74 km/h. Ele só foi parar quando estava a 48 km/h, quando bateu em um veículo do outro lado da pista. Foi nesse impacto com o veículo do outro lado que foi acionado os airbags", conta Vinícius Carvalho.

De acordo com o delegado, o laudo que comprova o excesso de velocidade pode mudar a tipificação do crime. "A velocidade permitida no local é 70 km/h, ele estando a 138 km/h, existe doutrina que nesses casos, o policial que conduzia o veículo, assumiu o risco", afirma.

Agora, a polícia irá concluir o inquérito e encaminhar o caso para o Ministério Público do Paraná (MPPR) que decide se apresenta a denúncia por dolo eventual, quando se assume o risco de matar, ou por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No primeiro caso, o policial que conduzia o veículo será julgado em júri popular. Na segunda hipótese, o processo irá tramitar na Vara de Delitos de Trânsito.

O delegado adiantou que deve concluir o inquérito e indiciar o motorista da viatura por homicídio com dolo eventual. O passageiro será indiciado por falso testemunho. Em depoimento, ele disse que o excesso de velocidade se justificava para atender uma ocorrência, o que não é verdade segundo a própria Polícia Militar.

Acidente na Linha Verde

O acidente aconteceu no dia 31 de julho embaixo do viaduto da Avenida das Torres, depois que uma viatura do 20° Batalhão da Polícia Militar perdeu o controle. Quatro mulheres estavam em um ponto de ônibus foram atingidas. Duas delas, uma de 29 e outra de 67 anos, morreram na hora com o impacto do acidente. Uma terceira, de 33 anos, chegou a ser socorrida, mas faleceu na ambulância a caminho do Hospital Cajuru. A quarta vítima deu entrada no hospital em estado grave, não resistiu e morreu no Cajuru já durante a noite.

Em depoimento, os policiais afirmaram que a sirene e o giroflex estavam ligados, no entanto, as investigações apontaram que a informação era falsa. Além disso, a polícia civil apurou que a equipe – que trafegava na canaleta exclusiva do ônibus, não estava a caminho de nenhuma ocorrência.

Em nota, a Polícia Militar afirma que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes.