Policial suspeito de matar Renata Larissa e estuprar 12 tem prisão convertida em preventiva

Fernando Garcel

A Justiça converteu a prisão temporária do policial militar Peterson Mota Cordeiro, de 30 anos, em preventiva, quando não há prazo para liberdade, nesta quinta-feira (9). Ele é suspeito de causar a morte da jovem Renata Larissa dos Santos, de 22 anos, e suspeito de ter cometido pelo menos 12 estupros na região de Curitiba.

> PM que suspeito de matar Renata fazia imagens de estupros cometidos no PR
Chega a 12 o número de vítimas de estupro do policial acusado de matar Renata

“Com a confirmação da autoria, foi confirmada a prisão preventiva. […] Já temos mais de uma dezena de vítimas que nos procuraram depois que o caso veio a tona e [os crimes] estão sendo apurados. Temos três indiciamentos dele por crimes sexuais”, conta a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk, responsável pelo caso.

Peterson está preso no Quartel da Polícia Militar. Segundo a delegada, a transferência para uma cela do Departamento Penitenciário do Paraná deve ocorrer somente após o desligamento do soldado da corporação.


Caso

Renata Larissa desapareceu no dia 27 de maio, após sair de casa dizendo que ia à farmácia, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. No último dia 20 de julho, o policial militar foi preso suspeito de estupro de outras mulheres. Depois da polícia encontrar fotos e vídeos nos equipamentos eletrônicos dele e cruzar as informações do desaparecimento da jovem, foi que se chegou a conclusão de que ele seria o responsável pelo sumiço de Larissa.

O corpo de Renata foi encontrado na última quarta-feira (01), às margens da BR-376, em São José dos Pinhais. O corpo estava em avançado estado de decomposição e mesmo assim, foi identificado rapidamente no Instituto Médico Legal.

No mesmo dia, o policial foi levado para prestar depoimento na Delegacia da Mulher, mas preferiu ficar em silêncio. O homem já foi denunciado por outros estupros e vai responder pelo crime que envolve Renata Larissa. Ele segue preso, desde o último dia 20.

Investigação

A delegada Eliete Kovaluk, da Delegacia da Mulher de Curitiba, disse na última quinta-feira (2), que o policial apresenta ser uma pessoa violenta. Um dos boletins de ocorrência descreve que, enquanto abusava de uma das vítimas, ele pedia para a mesma dizer, por várias vezes, que ‘estava sendo estuprada’. “Pela conduta que ele apresentou, ele é uma pessoa muito fria. Ele nega o crime e admite que houve a relação, mas em uma situação de dominação dele sobre as mulheres”, contou.

Cordeiro teve equipamentos eletrônicos apreendidos pela polícia. As equipes encontraram diversos vídeos e fotos das vítimas de estupro. “A partir da análise desses dados a gente verificou que existem várias outras vítimas, porque ele registrava filmando e fotografando. Ele obrigava as vítimas a falarem o nome e a idade”, descreveu.

Conforme as investigações, a maioria dos estupros foi cometida nas redondezas do Zoológico, no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba. A delegada contou que o primeiro caso foi registrado em outubro do ano passado. “Foi um caso isolado. A vítima era conhecida, relatou o crime. Ele negou, mas mesmo assim foi indiciado”, explicou.

Após isso, Cordeiro voltou a agir no início deste ano. “O segundo caso aconteceu neste ano. A vítima não tinha maiores dados dele, só falou que conheceu pela rede social. Com nosso trabalho de equipe ligamos os dois casos, até pelas características dadas pela vítima”, ressaltou.

O policial atraia as vítimas por meio das redes sociais. Segundo a delegada, a abordagem era amistosa e fazia com que a mulher confiasse no suspeito. “A vítima ia por vontade própria ao encontro dele, pela forma como ele abordava pelas redes sociais, ele procurava ganhar a confiança da vítima, se mostrando ser uma boa pessoa, de boa índole. Ia buscar as vítimas em casa”, disse.

A polícia ainda não sabe dizer se o crime acontecia no primeiro encontro. Além disso, nos depoimentos Cordeiro nega ter cometido os estupros e diz que as relações sexuais foram consentidas. “Na cabeça dele, ele acredita que não cometeu o crime, contudo ele não aceitava o fim do consentimento da vítima. Se de alguma forma a vítima se negava, ele partia para o lado mais violento”, contou a delegada.

A delegada afirmou que ainda não é possível precisar o número de vítimas. “Nós não precisamos esse número ainda, justamente porque estamos em fase de levantamento, mas são várias. Hoje tivemos uma vítima que relatou que teve um encontro com ele uma semana depois do sumiço de Larissa, ele demonstrou estar bastante nervoso, mas de alguma forma ele a poupou”, afirmou.

“Na verdade nós chegamos nessa investigação por acaso. Nós estamos investigando vários casos de estupro na delegacia da mulher. A gente focou nos sinais particulares que as vítimas apresentavam, no caso dela foram as tatuagens. Nós então cruzamos os dados do desaparecimento da Larissa e a partir das fotos fizemos o mapeamento do local, com georreferenciamento dos celulares”, contou a delegada Eliete Kovaluk.

A delegada diz que as investigações apontam que Larissa morreu, porque apresentou resistência. “A gente acredita que a intenção dele não era de matá-la, porque as outras vítimas saíram ilesas no sentido de que ele deixou elas voltarem para casa. A gente acredita que ela de alguma forma ofereceu alguma reação”, afirmou.

Dois inquéritos contra Cordeiro já estavam em andamento, nos dois casos ele foi indiciado por estupro. Agora, no caso de Larissa, o policial deve responder por estupro, homicídio qualificado pela impossibilidade da vítima, ocultação do crime e feminicídio. Cordeiro está preso temporariamente, mas já teve a prisão preventiva solicitada.

A delegada pede para que as mulheres que se relacionaram com Cordeiro e se sentiram obrigadas a manter relação sem consentimento procurem a delegacia e façam a denúncia.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook