Policial acusada de assassinar copeira vai a júri popular

Fernando Garcel

A policial civil Kátia dos Santos Belo, acusada de matar a copeira Rosária Miranda da Silva ao disparar da sacada de sua casa, em Curitiba, contra uma confraternização no fim do ano passado, em Curitiba, vai a júri popular.

O juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do júri, determinou o julgamento nesta terça-feira (4).

No despacho, o magistrado imputou que Kátia será julgada pelo crime de homicídio simples. Na denúncia, o Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou agravantes, como o motivo fútil, perigo comum e impossibilidade de defesa da copeira, mas o juiz não aceitou as circunstâncias. O MPPR deve recorrer da decisão.

Kátia dos Santos Belo responde ao processo em liberdade e o juiz manteve a decisão. Segundo Avelar, a policial “sempre respondeu ao presente feito em liberdade, jamais dando azo à decretação de sua custódia”.


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Relembre o caso

O crime aconteceu na madrugada do dia 23 de dezembro. A policial civil teria se irritado com o barulho de uma confraternização e disparado da sacada da casa em que mora, em Curitiba. A janela da casa da policial fica a 70 metros de onde estava a copeira que foi atingida na cabeça. Três dias depois do crime, a policial civil se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa como autora do disparo. Ela teria se irritado com o barulho e alega que atirou contra o chão.

Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a mulher é atingida. Veja:

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De acordo com o delegado, uma árvore impede a visualização de um ambiente para outro. A policial disse que usou a arma para atirar no chão, mas o tiro recocheteou e acertou a vítima.

Em depoimento, ela disse à polícia que atirou a esmo. Na versão dela, a bala ricocheteou e atingiu a copeira, que chegou a ser atendida e levada ao hospital Cajuru, mas faleceu alguns dias depois.

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De acordo com a perícia, a bala veio da janela da casa de Kátia, ou de uma trajetória semelhante.

O laudo da reconstituição também aponta que o tiro não ricocheteou – ou seja, desviou e atingiu quem não devia – como a policial havia informado. Segundo o DHPP, o objetivo da perícia não foi para dizer quem atirou, e sim, se haveria a possibilidade do tiro ter partido da janela da policial. A reconstituição foi feita por policiais e peritos que estiveram no local onde Rosária Miranda da Silva foi baleada.

Rosária foi socorrida com vida após levar um tiro supostamente acidental da investigadora, mas não resistiu e morreu na UTI do Hospital Cajuru uma semana depois. No dia da morte, a Justiça negou o pedido de prisão da investigadora feito pela Polícia Civil. Para a juíza Ana Carolina Bartalamei Ramos, como ela se apresentou e confessou o crime, não haveria motivos para a detenção.

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