Por falta de efetivo da PF, Justiça amplia prazo para desocupação da UTFPR

Narley Resende


A Justiça Federal estendeu por mais 48 horas o prazo para o cumprimento pela Polícia Federal (PF) da reintegração de posse da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que está ocupada desde a sexta-feira (18). O prazo começa a valer a partir de terça-feira (22).

A PF enviou ofício à Justiça pedindo prazo até sexta-feira, dia 25, para que possa cumprir o mandado de reintegração da sede da UTFPR, no bairro Rebouças em Curitiba. Segundo a PF, a operação é sensível, com desdobramento imprevisível, e demanda planejamento operacional para evitar tumulto.

O documento assinado pelo delegado José Washington Luiz Santos revela que o efetivo policial neste momento é insuficiente, em razão de eventos nacionais, como as eleições e a olimpíada, que fizeram com que muitos policiais marcassem férias obrigatórias para este período. A PF também afirma que equipamentos de controle de distúrbios civis estão em Brasília e ainda precisam ser enviados a Curitiba.

Dois mandados de reintegração da UTFPR foram emitidos até agora pela Justiça Federal. Um no sábado e outro nessa segunda-feira. O segundo estipula multa de 10 mil reais por dia de descumprimento a estudantes e entidades de classe que participam e apoiam a ocupação. O oficial de Justiça entregou o mandado às 9h24 de terça e a partir disso a multa já passou a valer.

Um porta-voz da ocupação, com o rosto coberto, conversou com a imprensa na terça à tarde e disse que os alunos não pretendem resistir a uma provável ação da PF para reintegração de posse. Ele disse que o movimento é pacifico e jamais confrontaria a polícia. Os estudantes pedem o envio de representante do governo federal para ouvir o movimento.

Segundo os alunos, a única presença do Estado, foi por meio de ação policial. As perguntas da imprensa foram entregues com antecedência para que o porta-voz pudesse responder em pronunciamento.

Os alunos contrários reclamam que não houve decisão pela ocupação da Universidade em assembleia. Sobre isso, o porta-voz da ocupação disse que houve a maior assembleia da história da UTFPR há duas semanas e que 80% dos alunos decidiram por paralisação de dois dias contra a PEC.

Para ele, este fato mostra que a maioria apoia a reivindicação. A afirmação, porém, confirmou que não houve deliberação pela ocupação em si.

Sobre a multa de 10 mil reais por dia de descumprimento da reintegração de posse, o porta-voz disse que isso não vai desmobilizar os estudantes. Os estudantes protestam contra a PEC 55, que congela gastos primários da União pelos próximos 20 anos, e contra a reforma no ensino médio por meio de medida provisória.

Violência 

PM na ocupação da UTFPR
Foto: Paulo Henrique de Jesus

Na noite dessa terça-feira, um grupo de aproximadamente 15 pessoas tentou desocupar a UTFPR à força. Entre 23h e 0h, o grupo chegou pela Avenida Silva Jardim, arrancou cartazes e faixas e iniciou uma discussão com o grupo que faz vigília em frente ao portão.

A Polícia Militar informou que acompanhou a discussão e interviu quando percebeu que aumento da agressividade dos manifestantes. O grupo contrário à ocupação foi revistado pela polícia e liberado em seguida.

Outro confronto ocorreu no sábado, segundo dia de ocupação, quando um grupo rompeu uma barricada formada por tijolos de concreto na porta de vidro da Avenida Sete de Setembro. O vidro da porta foi danificado. Professores e membros da reitoria conseguiram conter os grupos.

O risco de confronto foi o argumento acatado pela juíza federal Danielle Perini Artifon quando emitiu a primeira liminar pela desocupação no sábado.

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UFPR

O juiz federal Friedmmann Anderson Wendpap determinou nessa terça a reintegração de posse de todos os nove prédios ocupados por estudantes na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Oito ficam em Curitiba.

Devem ser desocupados os seguintes edifícios: D. Pedro I, D. Pedro II, Artes, Terapia Ocupacional e Enfermagem, Educação Física, Ciências Exatas, Bigarella (Ciências da Terra), PA e PC e Setor Litoral.

O magistrado afirma na decisão que as atividades na universidade têm sido impedidas desde o início do movimento, no dia 24 de outubro. Cerca de 10 mil estudantes estão sem aulas e o vestibular, marcado para os dias 27 de 28 de novembro, corre risco iminente, segundo o juiz.

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