Prefeito reeleito, vice e vereadores viram réus por compra de votos no Paraná

Andreza Rossini


A Promotoria de Justiça Eleitoral de São João, no sudoeste do Paraná, ajuizou representação eleitoral contra 15 pessoas em Saudade do Iguaçu, na mesma região do estado, suspeitas de compra de votos nas eleições municipais deste ano.

Tornaram-se réus na Operação Amianto, do Ministério Público Eleitoral (MPE), o prefeito reeeleito de Saudade do Iguaçu, Mauro César Cenci e o vice Rogerio Gallina, a secretária de Assistência Social do Município, Salete Rizzatti Trento, o diretor de Urbanismo, Jucilmar Marangon, os vereadores Sueli Civa Bochio (Neca), Setembrino Nath (Bino), Josemar Antonio Cemin, Eguinaldo Paulo Piaia e Neidelar Vicente Bocalon (Nei), os ex-candidatos ao cargo de vereador Idiomas da Silva Perico (Edi Perico) e João Rodolfo da Costa, e os servidores municipais Fabiane Gricoletto Martimianos (Fabi) e Idacir José Bochio.

O MPE pediu o afastamento imediato de todos os agentes públicos investigados de seus respectivos cargos, por indícios de que os investigados estejam maquiando, destuindo ou suprimindo documentos e outros elementos de prova.

No início deste mês foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão na casa dos dos investigados, na sede da prefeitura e na Câmara de Vereadores de Saudade do Iguaçu, além de oito mandados de condução coercitiva de eleitores possivelmente beneficiados com o esquema criminoso.

Investigação

Os trabalhos de apuração apontam que os investigados se utilizavam de programas sociais instituídos no município para obter votos para o prefeito reeleito e vereadores. Quem votasse nos candidatos recebia benefícios ou promessas de benefícios, principalmente com oferta de material de construção para reforma na casa dos eleitores.

Após a eleição, alguns dos investigados, em represália aos que não votaram no grupo político, cortaram benefícios assistenciais como cestas básicas.

Por meio das interceptações telefônicas verificou-se ainda que, entre os benefícios oferecidos e distribuídos, estavam entregas de materiais de construção, como telhas e cimento. Além disso, reformas nas casas de eleitores do município, especialmente nos bairros Harmonia, Nova Vida e Loteamento Mendes, além da comunidade de Linha Urutu, eram realizadas em troca de votos ao candidato a prefeito e aos vereadores nas eleições municipais deste ano.

“O que se vê atualmente nada mais é do que um coronelismo vigente em pleno século XXI. Foi modernizado, aparelhado por novos expedientes escusos, mas mantendo a sua essência de abuso de poder, subjugação da liberdade de voto e maculação da lisura do pleito, bem como o mesmo nefasto resultado: o esfacelamento da ética na politica e, consequentemente, a erosão da própria democracia”, afirma o procurador Regional Eleitoral, Alessandro José Fernandes de Oliveira.

De acordo com o procurador, estão sendo apurados os crimes de associação criminosa (art. 288 do Código Penal) e corrupção eleitoral. Previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, a corrupção eleitoral ou compra de votos consiste em “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. Segundo ele, “não estão sendo apurados ainda a conduta de caixa dois, pois infelizmente não há um crime específico na legislação eleitoral”, ressaltou o procurador.

A ação acontece por meio da Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná (PRE/PR), com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público Estadual (MP-PR).

O nome da operação deriva da matéria-prima utilizada na produção de telhas que eram oferecidas aos eleitores como um dos benefícios pela compra de votos.

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