Prefeitura de Curitiba “confisca” sedativos de clínicas de cirurgias plásticas

Francielly Azevedo - CBN Curitiba


Clínicas de cirurgias plásticas de Curitiba e distribuidoras de medicamentos anestésicos tiveram sedativos “confiscados” por profissionais da Vigilância Sanitária da Prefeitura. Itens como Propofol e adrenalina foram recolhidos em, pelo menos, cinco clínicas da capital, conforme informações recebidas pela Rádio CBN Curitiba.

A ação ocorre desde segunda-feira (27). A reportagem entrou em contato com as clínicas e teve o relato de que policiais estiveram em um dos locais. Os estabelecimentos pediram para não terem os nomes divulgados.

O presidente da Regional Paraná da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Alfredo Duarte da Silva, informou que a entidade ainda está analisando caso a caso, antes de qualquer posicionamento formal.

“Estamos analisando o que aconteceu, a prefeitura está no seu direito e no seu dever de fazer esse tipo de procedimento. O que faltou uma comunicação porque em nenhum momento as clínicas ficaram sabendo desse estadio tão grave e não houve a comunicação, simplesmente pelo que foram entendidas. Essa requisição aconteceu de uma forma drástica, sem um aviso prévio, uma conversa.”

A chamada “requisição” dos medicamentos está sendo feita devido à escassez de sedativos no mercado em função da demanda por causa da pandemia de Covid-19. Há algumas semanas, a Rádio CBN Curitiba vem repercutindo o apelo de médicos intensivistas e, inclusive, do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, sobre a falta de insumos para atender os pacientes que vão para as UTI’s e necessitam de sedação.

“Existe uma falta crônica, aguda, de medicamento para manter cidadãos paraenses sedados quando estão entubados.”

Por meio de nota, a Prefeitura de Curitiba confirmou a requisição dos medicamentos e disse que a medida está amparada pelo Decreto Municipal 421/2020, que declarou Situação de Emergência em Saúde Pública em Curitiba e elencou medidas que podem ser tomadas para o enfrentamento da pandemia.

O presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica garantiu que as clínicas não são contra entregar os medicamentos, desde que isso ocorra de maneira amigável.

“Tem uma dona de clínica que fechou o local prontamente e estava oferecendo a clínica para internar pacientes que tivessem necessidade, então, nossa preocupação é grande. Nós estamos à disposição de ajudar a todos, mas basta uma conversa.”

CIRURGIAS SUSPENSAS

Em todo o Paraná, estão suspensos desde sexta-feira (24) os procedimentos cirúrgicos eletivos ambulatoriais e hospitalares. A determinação consta na Resolução 926/2020 da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) para evitar o uso de medicamentos anestésicos e relaxantes musculares.

Diante disso, a Prefeitura de Curitiba informou ainda que a Vigilância Sanitária fiscaliza os estabelecimentos, mediante denúncias feitas à Central 156. Quando constatadas irregularidades, é feita a interdição.

Alfredo Duarte da Silva reforça que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orientou os médicos para que respeitem a regra. “A sociedade brasileira de cirurgia plástica regional Paraná tem orientado todos os cirurgiões plásticos a seguir rigorosamente a determinação que foi decretada pelas autoridades, tanto estadual como municipal, até porque a gente quer que a população se sinta segura em ter medicamentos.”

O documento da Secretaria de Estado da Saúde estabelece também que apenas cirurgias de urgência e emergência podem ser realizadas. Duarte da Silva destaca que cirurgiões plásticos também atuam nesse sentido, não apenas em casos estéticos, por isso, nesses casos eles permanecem em atividade quando são solicitados.

“Todo mundo imagina que cirurgiões plásticas fazem apenas a cirurgia estética, mas não, nós temos grande atividade em cirurgias reconstrutivas, pós oncologia, queimados, traumas…então, nós temos essa atividade muito comum no dia-a-dia.”

Os procedimentos cirúrgicos cardiológicos, oncológicos e de nefrologia seguem conforme a necessidade dos pacientes e a realização de exames de urgência estão condicionados ao médico prescritor.

Com a Resolução, a Secretaria da Saúde pretende, ainda, otimizar o uso de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), muitas vezes necessários para o período pós-operatórios dos pacientes.

Previous ArticleNext Article