Presidente do Morgenau planejou matar Ana Paula Campestrini por meses, diz polícia

Vinicius Cordeiro

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A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu hoje (5) o inquérito sobre a morte de Ana Paula Campestrini, mulher de 39 anos assassinada com 14 tiros em frente à própria casa, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, no dia 22 de junho. Segundo o relatório da delegada Tathiana Guzella, o advogado Wagner Oganauskas, presidente da Sociedade Morgenau, foi o mandante do crime e pagou R$ 38 mil para Marcos Antônio Ramon, diretor do clube, ser o executor da ex-mulher.

Após ouvir cerca de 40 pessoas, a polícia diz que o único problema de relação de Ana Paula era com o ex-marido. O casal, que teve três filhos de 9, 11 e 17 anos, passou por um divórcio complicado já que Wagner não aceitou a relação homossexual de Ana. Além da disputa de guarda das crianças, também houve questões da pensão alimentícia e partilha do patrimônio do casal.

A investigação aponta que a morte de Ana Paula Campestrini foi planejada. O executor do crime, Marcos, desligou as câmeras do Morgenau no dia do assassinato e chegou a obter a motocicleta vermelha, que havia deixado em um espeço do clube e usou para perseguir a mulher desde a saída dela do Morgenau. Inclusive, o diretor foi quem determinou o horário para que ela fizesse a carteirinha que dá acesso ao clube. O objetivo de Ana Paula era ver os filhos durante as atividades esportivas.

Constatou-se ter havido sórdido plano, pormenorizadamente executado por mais de dois meses antes“, diz trecho do relatório obtido pelo Paraná Portal.

A polícia também conseguiu identificar um pagamento de R$ 38 mil feito por Wagner a Marcos por meio do Morgenau. Uma das testemunhas do caso confirmou a transação e que estranhou a transferência não somente pelo valor, mas também por não ter existido razão deste pagamento.

“Como achou muito estranha esta situação, sendo anormal a não devolução para a mesma conta, [a testemunha] materializou este pedido por escrito, inclusive tirando fotocópia do extrato, da ted recebida e de uma das transferências realizadas a Marcos, as quais as apresenta. Salientou que, como o valor era alto, não conseguiu fazer todo ele na mesma data e, sim, R$20.000,00 (vinte mil reais) naquela data e R$18.000,00 no dia seguinte”, aponta outra parte do inquérito.

Ana Paula Campestrini foi morta com pelo menos 14 tiros. (Reprodução/Redes Sociais)

O inquérito ainda aponta que uma outra testemunha identifica Marcos como sendo o homem que efetuou os disparos contra Ana Paula Campestrini nos vídeos do crime, confirmado que o diretor do Morgenau é canhoto.

O QUE DIZEM OS INDICIADOS

Com a conclusão do inquérito da Polícia Civil, Wagner Oganauskas é o mandante do assassinato de Ana Paula Campestrini. O presidente do Morgenau foi indiciado por homicídio com qualificadores de feminicídio, motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e para assegurar a vantagem de outro crime.

Já Marcos Antônio Ramon foi indiciado por homicídio com qualificadores de mediante pagamento e motivo torpe, meio cruel e emboscada, com impossibilidade de defesa da vítima.

Além disso, também há pedido para que ocorra a mudança de prisão temporária para preventiva pela garantia da ordem pública e pela conveniência da instrução criminal. Segundo a polícia, a liberdade da dupla pode implicar a intimidação e ameaça de pessoas que colaboraram com a investigação.

Procurada pelo Paraná Portal, os advogados de defesa afirmam que vão se manifestar após a audiência de custódia de Wagner, marcada para essa terça-feira (6). A equipe comandada por Louise Mattar Assad ainda analisa o relatório final da polícia.

Nos interrogatórios, Wagner e Marcos negaram os crimes e disseram que não são amigos pessoais, tendo apenas relações profissionais.

MULHER FOI EXECUTADA A TIROS EM CURITIBA APÓS SAIR DO MORGENAU

O assassinato de Ana Paula Campestrini foi registrado por uma câmera de segurança e as imagens foram divulgadas pela Polícia Civil.

O vídeo mostra o portão do condomínio abrindo enquanto a mulher aguarda para entrar com o carro. Neste momento, o motociclista para ao lado e aponta a arma antes de fazer mais de 10 disparos.

Conforme a delegada Camila Cecconello, os depoimentos de amigos e parentes da vítima apontaram que o ex-marido foi quem ordenou a morte de Ana Paula Campestrini. Ela estava no clube no qual o ex-marido é presidente

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