Presos libertam último refém e encerram rebelião na Casa de Custódia

Os detentos da Casa de Custódia de Curitiba, que estavam rebelados deste domingo (1º), libertaram, nesta manhã (5), o úl..

Mariana Ohde - 05 de julho de 2018, 09:11

Foto: Reprodução / Google StreetView
Foto: Reprodução / Google StreetView

Os detentos da Casa de Custódia de Curitiba, que estavam rebelados deste domingo (1º), libertaram, nesta manhã (5), o último agente penitenciário feito refém durante a rebelião que durou quatro dias.

Segundo informações do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), os presos que participaram da rebelião serão  indiciados por cárcere privado, tortura, e destruição do patrimônio. Entre os cerca de 600 presos da Casa de Custódia de Curitiba, 172 estão participaram da rebelião.

Com mais de 80 horas de duração, este é considerado o motim mais longo dos últimos dez anos no Paraná.

Durante a manhã, policiais do Batalhão de Operações Policiais (Bope), unidade de elite da Polícia Militar, e agentes penitenciários entraram na unidade para fazer uma vistoria geral. Os detentos foram concentrados no pátio para permitir a contagem dos presos e uma revista. Uma equipe do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR) também ingressou na Casa de Custódia para fazer uma análise inicial dos danos provocados pelos detentos.

Rebelião

No domingo, cinco agentes penitenciários foram feitos reféns. Um deles foi libertado no mesmo dia e outros três nesta quarta-feira (4). Segundo o capitão Marcos Roberto, o último refém ficou como "garantia" durante as negociações. Ele foi encaminhado para atendimento médico.

Entre as demandas dos detentos estavam a transferência de presos para outros locais e a volta de cinco presos transferidos anteriormente para outras unidades, que estariam sendo ameaçados por facções criminosas. Sobre a reivindicações, o capitão informa que foi acordada a volta dos cinco internos. "A principal reivindicação deles será atendida, no tempo oportuno. Uma das exigências era que trouxessem esses internos agora, o que é inviável. Temos que, primeiro, restabelecer a ordem. Posteriormente, estes presos devem ser encaminhados".

Já o Depen-PR informa que a principal reivindicação dos presos era evitar, por questões de segurança, que membros de facções rivais permanecessem em um mesmo presídio.

"O Depen do Paraná já havia feito um mapeamento da localização de custódia de presos das principais facções que atuam dentro do presídio. Tanto é que o Estado do Paraná, diferente de outros estados, não registrou mortes provocadas por confronto entre facções. No entanto, já estava em andamento a remoção de presos de uma facção que estavam em celas especiais – chamadas seguro – das unidades em que predominantemente custodia detentos de facção rival. A intenção da direção do Depen é evitar qualquer conflito entre detentos", informa o departamento.

Vídeos e armas

Durante a rebelião, presos compartilharam vídeos feitos dentro da Casa de Custódia de Curitiba, onde os rebelados apareciam portando armas brancas e ameaçando os reféns. Sobre os celulares que ingressaram na Casa de Custódia de Curitiba, o Depen informou que vai abrir um procedimento interno para apurar a entrada dos aparelhos na unidade penitenciária.

"Diariamente, agentes penitenciários realizam vistorias que resultam na apreensão de telefones celulares e drogas em todas as penitenciárias do Estado do Paraná", diz o órgão.

Sobre as armas, o capitão Marcos Roberto afiram que o armamento é improvisado. "Eles fazem com qualquer tipo de material. Eles tiram material das paredes para fazer o 'estoque'. A entrada é bastante difícil na unidade. Provavelmente, eles tinham alguns e foram providenciando outros no transcorrer, com o material de dentro da própria galeria", disse.