Primeira audiência do caso Daniel começa com atraso

Cristina Seciuk - CBN Curitiba, Francielly Azevedo e Vinicius Cordeiro

A audiência de instrução do processo que investiga a morte do ex-jogador Daniel Correa Freitas começou com atraso nesta segunda-feira (18). Marcada para às 13h, a sessão teve início após às 14h, quando os réus Edison Brittes Junior, sua mulher, Cristiana Brittes, e a filha do casal, Allana Brittes, chegaram ao Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

A juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções Penais vai decidir se os sete réus envolvidos no crime vão para Júri Popular. Entretanto, a expectativa é que os trâmites se estendam por, pelo menos, três dias.

A audiência tem início com os depoimentos das 14 testemunhas de acusação. Depois disso, serão ouvidas as 48 testemunhas arroladas pela defesa da família Brittes e, em seguida, será feito o interrogatório aos réus, que deve acontecer na quarta-feira (20). Com o fim das oitivas, as partes de acusação e defesa terão que fazer suas alegações finais antes da decisão da juíza.

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Confira os acusados e quais crimes que respondem:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

Chegada

Com direito a pleno conhecimento das acusações, seis deles chegaram algemados, com as mãos para trás, usando camisetas brancas de algodão e calças cinza. A exceção foi Evelyn Brisola, única suspeita que responde em liberdade. Os réus homens foram levados primeiro ao Fórum de São José dos Pinhais. Entre eles estava Edison Brittes, que confessou o crime após o depoimento de uma das testemunhas que o acusava como autor dos crimes.

Depois, a mulher de Edison, Cristiana Brittes, e a filha dos dois, Allana Brittes, chegaram ao local. As duas estão presas na Penitenciária Feminina de Piraquara.

Confira os vídeos, divulgados pela defesa da família Brittes.


O caso

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata próxima à uma estrada rural, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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