“Exposed”: Professor é indiciado por assédio após relatos de alunas nas redes sociais

Vinicius Cordeiro

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Um professor de 39 anos que trabalhava em três escolas de Apucarana, na região norte do Paraná, foi indiciado por assédio sexual pela Polícia Civil nesta quarta-feira (11). Ele é acusado de cometer abusos contra 11 alunas que procuraram a delegacia após relatarem experiências com o suspeito nas redes sociais a partir da hashtag “Exposed”. movimento de exposição de denúncias sobre abusos contra mulheres que surgiu durante a pandemia da covid-19.

A delegada Sandra Nepomuceno, chefe da Delegacia da Mulher de Apucarana, diz ao Paraná Portal que os relatos são sobre abusos do professor entre 2012 e 2019. Apesar de ser o mesmo homem, ele não seguia um mesmo padrão, o que diversificou os depoimentos.

“Tem alunas que relatam que o professor deu uma cantada em sala de aula, outras que houve abordagem mais contundente, de trocar telefone e pedir fotografias sensuais. Outras contam que teve toque no seio, no corpo, e até convites para ter relação sexual”, conta ela.

Segundo a polícia, o professor não possui antecedentes criminais e nega as acusações. Ele está afastado em todas as instituições que atuava e aguarda a conclusão das investigações em liberdade.

“Não houve necessidade de pedido de prisão cautelar nessa fase. Já que os relatos são antigos, ele não está mais praticando o crime. E como está afastado, não corre o risco de incorrer novamente”, afirma.

Com o inquérito concluído, agora cabe ao Ministério Público do Paraná analisar o caso e oferecer, ou não, uma denúncia criminal à Justiça.

EXPOSED FORTALECE, MAS É PRECISO PROCURAR A POLÍCIA

Para a delegada Sandra Nepomuceno, o movimento Exposed foi essencial para que as investigações fossem feitas. Contudo, apenas os relatos na internet não é o suficiente: as vítimas precisam ir até a delegacia para relatar os fatos.

“As meninas começaram a acompanhar e muitas que passaram por isso, que não tinham intenção nenhuma de trazer a história à tona, se sentiram fortalecidas no movimento. O inquérito tomou essa proporção por causa disso. Começaram a vir duas, três, cinco e chegamos a mais de 15 alunas”, avalia.

Apesar disso, nem todos os depoimentos foram classificados como crime de assédio. Em alguns, foi constatado casos de bullying, por exemplo.

“Verificamos que algumas situações não se enquadravam como crime, mas orientamos essas alunas a procurarem outras medidas”, completou.

Conforme a polícia, o professor pode ser condenado a 16 anos de prisão mesmo que a pena para o crime de assédio seja de dois anos.

“Nessa situação excepcional, pelo número de vítimas, ocorre o que a gente fala de concurso material de crime, você acaba somando as penas de todas vítimas. Agora tudo depende da instrução penal”, finalizou.

“ELE ERA UMA AUTORIDADE”, DIZ VÍTIMA DE ASSÉDIO EM APUCARANA

O Fantástico do último domingo exibiu uma reportagem sobre o tema e entrevistou uma das alunas de Apucarana que sofreu assédio por parte desse professor em 2014 e participou do Exposed. Ela contou que chega a sonhar com o homem e descobriu que várias pessoas próximas tiveram outras experiências de abusos com ele.

“Eu tinha ido para o colégio com uma camiseta da banda Ramones. Ele passou do meu lado, passou a mão no meu seio, apertou e falou ‘mamones’ como se fosse a coisa mais natural do mundo, dentro de sala de aula e com todos os alunos lá. Eu fiquei sem reação”, disse.

Além disso, por depender de bolsa de estudos para se manter no colégio, ela sentiu medo de denunciar na época.

“Eu tinha medo de ser motivo de chacota, de ser prejudicada. Querendo ou não, ele era uma autoridade, é um professor. Eu tinha bastante medo de perder alguma coisa do colégio. Por mais que já faça muito tempo, acho importante que isso pare”.

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