Professora é afastada após polêmica sobre aula de educação sexual no PR

Redação e Cleverson Bravo - BandNews FM Curitiba


A professora Graziela Ivana, que publicou em uma página pessoal na internet a metodologia utilizada para trabalhar o conteúdo de reprodução humana, sexualidade e de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis com alunos da Escola Municipal Aníbal Lopes, em Cascavel, no Oeste do Paraná, prestou esclarecimentos na secretaria de educação do município e foi suspensa temporariamente das atividades e terá a conduta apurada.

As imagens ganharam repercussão nacional após uma série de compartilhamentos que tiveram início na página “Bolsonaro – Cascavel”. Nas fotos, os alunos manuseiam preservativos e objetos que reproduzem genitais masculinos e femininos. O material foi apresentado a crianças do quinto ano, na faixa etária de nove e dez anos e, segundo a prefeitura, está em desacordo com o currículo da rede pública municipal de ensino de Cascavel.

Segundo a secretaria de educação, o conteúdo está direcionado a um público adolescente, entre 12 e 17 anos. Após comparecer à secretaria de educação de Cascavel, a professora falou com a TV Tarobá, afiliada da Band.

“Muito tranquila. Estou saindo de uma conversa muito democrática e tranquila com a Secretaria de Educação. A escola é justamente esclarecer para a população e para os pais o que está acontecendo. A escola sempre esteve aberta”, afirma. “A reação é de surpresa e de, ao mesmo tempo, reflexão sobre uma sociedade que conhece e visita muito pouco a escola. O que aconteceu foi a leitura de uma imagem que criou um grande equívoco. Há uma metodologia a ser seguida e um conteúdo a ser trabalhado por direito e dever da escola”, explica a professora Graziela.

A professora é concursada para um padrão de 20 horas na rede municipal de Cascavel e atua a 19 anos. A partir desta quarta-feira (31), ela será substituída e os pais serão convidados para uma reunião de esclarecimentos. A Corregedoria da Casa Civil vai abrir um processo administrativo. A secretária de Educação de Cascavel, Márcia Baldini, afirmou que a direção tinha conhecimento da presença do material na escola, mas informou desconhecer a profundidade com que o tema tinha sido trabalhado em sala de aula.

“A educação sexual e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis são conteúdos do quinto ano, mas não é um conteúdo que deve ser trabalhado de forma aprofundada. São apenas noções básicas”, diz Márcia.

O processo administrativo vai apontar se há outras pessoas envolvidas e se houve algum tipo de omissão ou negligência. A secretaria de educação informou que a professora extrapolou as orientações pedagógicas e classificou como ‘fato isolado’. Ainda nesta quarta-feira (31), os diretores de todas as escolas vão receber orientações sobre a importância de respeitar o currículo da rede municipal.

“Isso é uma violação, um absurdo e causa indignação e nojo. Vou determinar uma sindicância na escola para determinar se houve negligência de pessoas que poderiam ter visto isso. Eu estou de fato indignado. Eu tenho uma filha de 11 anos de idade e fico imaginando a indignação dos pais em ver cenas como essa”, declarou o prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, que estava em Brasília e usou a internet para se manifestar.

A professora é regente da turma e, segundo a secretaria de educação de Cascavel, não poderia ficar responsável pela disciplina de Ciências, para o quinto ano. A matéria teria que ter sido ministrada pela professora da hora-atividade, que é responsável ainda pelos conteúdos de artes, espanhol e de educação física. O uso de materiais expositivos e explícitos é vedado. A professora defendeu a metodologia.

“Esse conteúdo ele também se transformou nas escolas em um projeto. Ele ajudou muitas crianças que foram abusadas a se manifestarem e fazerem denúncias. É um projeto que abriu espaço para o diálogo e para conversa. Além de sermos premiados a nível de Brasil é um projeto que ajudou e contribuiu para a vida e desenvolvimento de muitos adolescentes. É um projeto de prevenção e de sexualidade saudável dentro da escola, nada mais além disso. Não tem nada de incitação a sexualidade desenfreada ou a promiscuidade como estão dizendo”, afirma a professora.

A secretaria de educação alega que ‘não se trabalha em forma de projetos’. O material apresentado às crianças foi cedido pelo Centro Especializado de Doenças Infecto-Parasitárias, ligado à secretaria de saúde. A ocorrência foi levada ao Ministério Público e ao juiz da Vara da Infância e Adolescência. Podem ser aplicadas sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente ou mesmo da esfera criminal.

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