Professores do Paraná decidem manter greve até anulação da lei que altera previdência

Redação


A segunda greve dos professores da rede estadual de ensino do Paraná neste ano deve continuar por tempo indeterminado. Os servidores decidiram manter a greve da categoria, em assembleia realizada no Estádio da Vila Capanema, na tarde desta terça-feira (5). Aproximadamente oito mil pessoas participaram da assembleia. A principal reivindicação é a anulação da sessão da Assembleia Legislativa que aprovou o projeto de lei que altera o Paranaprevidência.

Mesmo sob multa diária de R$ 40 mil, a APP-Sindicato afirma que vai bancar os custos da greve. No último dia 27 de abril, o desembargador Luiz Mateus de Lima, do Tribunal de Justiça do Paraná, determinou que os professores estaduais retornassem às salas de aula. O magistrado considerou a greve irregular e ampliou o valor da multa diária para caso de descumprimento da decisão de R$ 20 mil para R$ 40 mil.

A primeira greve dos professores do Estado neste ano durou 29 dias no início do ano letivo de 2015. Aproximadamente 900 mil alunos estão sem aulas.

Durante a manhã, foi realizado um ato no Centro Cívico de Curitiba em solidariedade aos professores da rede pública do Paraná. Os manifestantes se concentraram na Praça 19 de Dezembro e depois fizeram uma marcha pela Avenida Cândido de Abreu, em direção à Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu e a Assembleia Legislativa.

O objetivo do protesto é repudiar a violência da Polícia Militar na quarta-feira (29) da semana passada, quando os servidores se manifestaram contra a aprovação do projeto de lei que alterou o plano de previdência dos funcionários públicos do Paraná. O projeto foi encaminhado pelo Executivo, aprovado na Assembleia Legislativa, e já foi sancionado pelo governador Beto Richa (PSDB). Durante a ação da PM, aproximadamente 230 pessoas ficaram feridas.

O ato da manhã desta terça-feira foi organizado pela APP-Sindicato, que representa os professores estaduais, e também pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-Paraná), e recebeu apoio de inúmeras entidades e organizações da sociedade civil. Movimentos semelhantes foram registrados em outras partes do País em apoio aos docentes paranaenses.

A greve dos professores foi retomada neste mês após a categoria entender que o governo quebrou o acordo firmado para o fim da paralisação no início do ano, ao sancionar a mudança no projeto que altera o formato da Paranaprevidência sem amplo debate, com tramitação do projeto em regime de urgência.

Sem negociação

Por meio de nota, o governo do Estado afirma que vai descontar os dias de greve e lamentou a decisão da assembleia dos professores do Paraná pela manutenção da paralisação. Segundo governo, a decisão é um “desrespeito a uma decisão do Tribunal de Justiça, que decretou o movimento ilegal”. O governo garante que todos os itens acordados em março com a categoria estão sendo cumpridos, como quitações de pagamentos e obediência às normas para cálculo de alunos em sala.

“Será feito o desconto no salário das faltas desde o início da nova paralisação, dia 27. Diretores e chefes de núcleo foram orientados a fazer as anotações e encaminhar os dados à SEED”, diz a nota.

“Com qualquer número de ausências em sala de aula, fica comprometida a classificação em concurso para remoção (mudança de escola). E a partir da quinta falta, o profissional pode perder o direito à licença especial (a cada período de cinco anos)”, ameaça o governo.

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