Programa para deficientes da UTFPR fecha em Curitiba

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba


O Prota (Programa de Tecnologia Assistiva) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) está encerrando suas atividades no campus Curitiba do Centro.

Segundo o coordenador do programa há 12 anos, prof. Claiton Voigt Warnk, o campus decidiu fechar o setor, que no momento faz as entregas dos últimos equipamentos produzidos. “Na semana passada fui relocado de setor juntamente com o outro servidor do Prota. Desde outubro também fomos proibidos de arrecadar recursos e contratar estagiários, que eram obrigatórios [sem bolsa] e não geravam despesa à universidade. Dos quatro originais, estamos com apenas um em fim de contrato, o que implicou no fechamento”, conta.

O Prota era responsável por produzir equipamentos para pessoas com deficiência visual e motora, como a confecção de bengalas, manutenção de máquina de escrever em Braille, cadeiras de rodas e fornecimento do software ETM (Emulador Teclado Mouse), destinado a pessoas com paralisia cerebral.

O setor também ajudou a desenvolver projetos como o semáforo para pedestres com deficiência visual e cadeiras para para-atletas, que necessitam de modelos especiais de acordo com a modalidade. As vendas com custos abaixo de mercado para associações e institutos do Paraná e todo o país ainda custeavam materiais para atendimentos gratuitos feitos pelo Prota.

“O pagamento das encomendas era feito via fundação e vinha para nós, [a verba] não saía do orçamento da universidade. Há 10 anos não entrego uma nota fiscal, o dinheiro permitiu inclusive comprar computadores e outros equipamentos”, declara Warnk.

Segundo a diretoria de Relações Empresariais e Comunitárias do campus Curitiba, o Prota será transferido para a sede do Ecoville. O agora ex-coordenador do Prota não tem a certeza que o discurso vingará. “Talvez vá, mas lá não tem estrutura e quadro técnico para atender a demanda. Existe o pessoal da Mecânica para fazer as bengalas, mas não tem da Eletrônica para a demanda de paralisia cerebral, por exemplo. Ninguém foi designado e não fui procurado para melhorias ou mudanças. Da minha parte vou desempenhar minhas novas funções, o problema é a comunidade ficar desguarnecida”, diz.

Warnk revela que nessa semana, sem recursos, precisou tirar do próprio bolso para finalizar uma bengala. “Tenho encomendas de associações de Florianópolis e Sorocaba, falta fazer as últimas e entregar as chaves.

Conselho vai debater questão hoje

O fechamento do Prota no Centro causa preocupação entre as instituições que  representam as pessoas com deficiência visual. O tema inclusive será debatido às 9h30 em reunião do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência na sede da Assessoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência da prefeitura. “O Prota tem sido, em muitas situações, a única alternativa onde as pessoas com deficiência visual conseguem uma bengala de modo fácil e rápido”, diz o diretor do IPC (Instituto Paranaense de Cegos), Enio Rodrigues da Rosa. “É um belo exemplo de como as universidades podem dar retorno social

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