Projeto deve levar energia elétrica às comunidades pesqueiras de Superagui

Na casa do pescador Sérgio José Malaquias, de 35 anos, não tem energia elétrica. Desde criança, morando na comunidade de..

BandNews FM Curitiba - 17 de setembro de 2018, 20:48

Na casa do pescador Sérgio José Malaquias, de 35 anos, não tem energia elétrica. Desde criança, morando na comunidade de Barbados – distante cerca de duas horas de barco de Paranaguá – ele nunca teve luz elétrica em casa. Assim como Sérgio, outros 450 moradores das comunidades localizadas no Parque Nacional de Superagüi, em Guaraqueçaba, também não tem luz elétrica em suas residências. Há, pelo menos, 10 anos a Copel atende parte das ilhas do Litoral do Paraná com painéis para captar energia solar.

No entanto, a capacidade de consumo destes equipamentos é baixa e não permite a ligação de freezer, por exemplo, um eletrodoméstico fundamental para conservar os pescados. Segundo Sérgio Malaquias, os pescadores querem que a Copel forneça energia através de cabos, como já acontece, por exemplo, na Ilha do Mel. O problema é que a instalação de energia elétrica nestas comunidades tem esbarrado no licenciamento ambiental, porque as comunidades estão dentro do parque nacional do Superagui e de Área de Proteção Ambiental.

"A luz elétrica vai beneficiar a gente, porque a vida do pescador é armazenar seu peixe para poder vender. Então poderemos ter um freezer para conservar o peixe. Além dos outros benefícios que traz a luz elétrica. Eu sei que tem que preservar, mas nós mesmos ajudamos a cuidar", disse.

Uma reunião entre moradores das comunidades ilhadas e a Copel, na semana passada, deu continuidade a um processo que deverá finalmente levar energia à casa dos pescadores de localidades como Barbados, Sebuí, Varadouro e Barra do Ararapira.

Na reunião, a Copel apresentou aos pescadores alternativas para levar energia elétrica às localidades, por meio de cabos subaquáticos e cabos enterrados. Os projetos serão encaminhados aos órgãos ambientais para o licenciamento.

Segundo o presidente da Copel, Jonel Iurk, o cronograma de instalação em cada comunidade poderá variar. "Nós temos uma etapa que é de licenciamento ambiental que poderá variar de três até 24 meses, por conta dos estudos ambientais. Já a implantação da obra se dará em várias etapas", explicou.

O presidente da Copel afirmou que a empresa tem a obrigação de levar energia elétrica a todas as comunidades da área de concessão. Para ele, trata-se de um desafio para a companhia.

"É a última região do estado que ainda não tem energia, então para Copel será uma conquista. Instalações com cabos submarinos. Todos os paranaenses merecem energia", afirmou.

Como ainda não se sabe qual projeto será adotado, porque dependerá da análise dos órgãos ambientais, a Copel não indica ainda o valor a ser destinado para a instalação de energia elétrica nas comunidades. De qualquer forma, o Presidente da Copel garantiu que os recursos estarão disponíveis.

Toda a discussão sobre o projeto de instalação de energia elétrica nas residências dos pescadores está sendo acompanhada pelo Ministério Público. O Promotor da área de proteção ao meio ambiente, André Luiz de Araujo, afirmou que o debate deve ser equilibrado.

"O debate é intenso porque existe de um lado a necessidade de preservar o Parque Nacional do Superagui, mas a energia elétrica é um direito fundamental", explicou.

Participaram da reunião representantes da Copel, membros do Ministério Público do Paraná, do Instituo Ambiental do Paraná e do Instituto Chico Mendes (ICMBio).