Projeto que pretende limitar ‘volume’ do apito de trens em Curitiba volta à discussão

Há 20 anos o comerciante Aroldo Vieira Cardoso convive com o barulho do apito do trem. Ele mora em um apartamento na Rua..

Francielly Azevedo - CBN Curitiba - 27 de agosto de 2018, 21:29

Há 20 anos o comerciante Aroldo Vieira Cardoso convive com o barulho do apito do trem. Ele mora em um apartamento na Rua Atílio Bório, no Cristo Rei, próximo a linha férrea. O morador reclama que o ruído impede uma noite de sono tranquila. "O horário mais cruel é de madrugada. Muitas vezes você acaba acordando com o barulho. As vezes chega a mexer as coisas dentro de casa, com a intensidade do trem. Não tem horário, é três horas, quatro horas, cinco horas da manhã", disse.

Por causa do apito e do ruído, Aroldo chegou a mudar alguns hábitos, para amenizar o problema. E disse que até durante o dia, o barulho é ruim. "Mesmo de dia o barulho é ensurdecedor. Televisão você precisa aumentar o volume no máximo, se estiver no telefone precisa pedir pela educação da outra pessoa em aguardar. É um incomodo terrível", afirmou.

O comerciante conta que tem um filho de sete anos, que hoje já acostumou a conviver com o barulho. Mas quando era um bebê, a criança sempre acordava assustada com os apitos. "Logo que ele nasceu a gente colocou uma janela anti-ruído, mas mesmo assim não foi o suficiente", destacou.

Frida Wehrneistecorcio é zeladora, ela trabalha em um prédio próximo ao cruzamento da Rua Schiller com a Avenida Senador Souza Naves. De acordo com ela, o barulho do trem já fez com que moradores se mudassem do edifício. "Eu trabalho a duas quadras daqui. Os moradores reclamam que o trem passa de madrugada com volume alto. Não tem horário, não tem volume. Acredito que a noite poderia ser mais baixo porque não tem tanto carro. Lá no prédio umas três pessoas já se mudaram por causa do trem", contou.

Mas também tem quem acredite que o apito é essencial para evitar acidentes. Uma moradora que vive na região do Cristo Rei há 18 anos e, preferiu não se identificar, disse que o barulho não incomoda.

"É importante ter que ter a buzina. O trem precisa fazer isso, porque tem acidente direto. Os motoristas não respeitam o trem, nem com ele buzinando, imagina se diminuir o volume", ressaltou.

Uma proposta que voltou a tramitar na Câmara Municipal de Curitiba prevê que o barulho emitido pelos trens não ultrapasse os 96 decibéis (dB) no período noturno entre às 22h e 7h.

O texto pretende alterar o artigo 28 de uma lei municipal, que trata sobre os ruídos urbanos, proteção do bem-estar e de sossego público. A lei em vigor atualmente delega a regulamentação ao Poder Executivo, via decreto.

O projeto começou a tramitar no ano passado. Inicialmente, a proposta pedia que os sons emitidos pelos trens, principalmente os apitos, não ultrapassasse os 15 dB. No entanto, após debates, o texto foi alterado se baseando em uma regulamentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que permite entre 96 dB e 110 dB no período noturno.

Se aprovada a lei, a fiscalização será feita pela Secretaria de Meio Ambiente e Guarda Municipal, que já conta com decibelímetros.

O apito do trem é regulado por decreto federal de 1996. Conforme a regulamentação já existente, o alerta deve ser disparado próximo das “passagens em nível” para motoristas e pedestres.

Em nota, a concessionária Rumo, responsável pelos trens que circulam em Curitiba, “ressalta que suas operações seguem todas as normas vigentes e que procura causar o menor impacto possível à população. Ressalta que ferrovias do mundo inteiro fazem uso da buzina. É um item essencial para a segurança do trem, dos veículos e das pessoas que estão próximas à linha. Os maquinistas são periodicamente treinados para seguir corretamente o procedimento de acionamento deste dispositivo. Informa ainda que toda ferrovia de carga funciona 24 horas por dia”.