Promotores acompanham caso de adolescente morto em escola

Narley Resende

Dois promotores de Justiça foram designados pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso de um adolescente de 16 anos que foi morto a facadas por um colega na tarde dessa segunda-feira no Colégio Estadual Santa Felicidade, em Curitiba.

A escola é uma das 850 ocupadas no Estado pelo movimento Ocupa Paraná, composto por estudantes secundaristas em protesto contra a reforma do Ensino Médio do governo Temer e contra a PEC 241.

Na manhã desta segunda-feira (25), a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), realiza a partir das 11 horas uma coletiva de imprensa com a presença de advogados que defendem os alunos para falar sobre as ocupações e versões sobre o caso.

Segundo a secretário estadual de Segurança, Wagner Mesquita, o menor foi morto por um amigo de 17 anos, que também participava da ocupação. Eles teriam dividido um ‘bala’ (droga sintética conhecida como ecstasy) e ficaram alterados.

Os demais estudantes então teriam pedido para os dois se afastarem do grupo. No alojamento, os dois teriam se desentendido, a vítima partiu para cima e o autor do crime tirou uma faca de cozinha do bolso para se defender. Ele acabou esfaqueando o pescoço e o tórax do colega, que não resistiu e morreu no local após perder muito sangue.

De acordo com Mesquita, o menor autor foi visto pelos estudantes pulando o muro após o crime. A polícia encontrou ele em casa e ele foi levado para a Delegacia do Adolescente, onde ficou detido.

O MP-PR (Ministério Público do Paraná) informou que dois promotores de Justiça foram designados pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso e garantir rigor e transparência à apuração.

Em nota, o movimento contrariou a polícia e disse que a vítima não participava da ocupação. “Apesar das diversas correntes de ódio que tomaram conta do Estado no dia de hoje, nós do movimento Ocupa Paraná não queremos e nem vamos culpabilizar ninguém pelo acontecido. Neste momento queremos apenas prestar solidariedade à família, que perde um dos seus para o ódio, para a intolerância e para a violência”. O grupo convocou atos em solidariedade à família.

A APP-Sindicato, que representa os trabalhadores em educação das escolas públicas, lamentou o fato e as críticas às ocupações. “Infelizmente neste momento triste surgem tentativas de criminalização do movimento legítimo dos estudantes e vinculação do sindicato ao episódio”.

Tristeza

Uma professora e uma vizinha disseram que o adolescente morto era um rapaz tranquilo. “Era um aluno normal, dava aula para ele até o ano passado. Vim visitar a ocupação algumas vezes e estava tudo em perfeita harmonia”, contou a professora Loren Julia.

Amiga da mãe da vítima e vizinha da escola, Solange Souza não acreditou no acontecido. “Era um menino tranquilo, almoçava lá em casa, era como se fosse da minha família. A mãe chegou a se mudar, mas voltou para cá por causa da escola”, declarou.

Nota do MP:

“O Ministério Público do Paraná esclarece que, desde as primeiras informações sobre a morte de um adolescente no interior do Colégio Estadual Santa Felicidade, na tarde desta segunda-feira, 24 de outubro, em Curitiba, dois promotores de Justiça foram designados pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso. Felipe Lamarão de Paula Soares e Emiliano Antunes Motta Waltrick foram até a instituição de ensino para acompanhar as investigações com o intuito de garantir rigor e transparência à apuração do caso.

Além disso, ressaltando-se que o Ministério Público do Paraná vem acompanhando, desde o princípio, o movimento de ocupação nas escolas, encontram-se reunidos, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, procuradores e promotores de Justiça com atuação nas áreas de Educação, Direitos Humanos e Infância e Juventude, para traçar estratégias de intervenção institucional, visando à superação da situação que se apresenta.”

(Com Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba)

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