Proposta que adia reajuste dos servidores chega à Alep nesta terça-feira

Mariana Ohde


Por Andressa Tavares, da CBN Curitiba

O texto que propõe o adiamento do pagamento do reajuste salarial aos servidores estaduais deve chegar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta terça-feira (5), confirmou o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB). Segundo o presidente, o funcionalismo precisa compreender a decisão do Governo do Paraná de adiar o pagamento do reajuste. “O importante é que servidores que tenham valores a ser recebidos por parte do governo – cerca de 40 mil servidores -, que têm promoções e avanços atrasados, [saibam que] o governo tem o desejo de pagar isso. Agora, é preciso entender o momento do Brasil. O estado não é apenas o servidor, com o devido respeito, o estado são 11 milhões de paranaenses, nós temos que pensar dessa forma”, afirma.

Na semana passada, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, afirmou que as finanças estão equilibradas, mas não descarta mais dificuldades com quedas de arrecadação e as perspectivas de continuidade de estagnação de todo o país. Por isso, o Governo do Paraná estuda implantar primeiro, a partir de janeiro, as promoções e progressões – no valor de R$ 260 milhões, montante calculado até o mês de junho -e só depois voltar a falar em reajuste para o funcionalismo.

Estão pendentes os dois últimos reajustes a serem pagos em janeiro e em maio de 2017 – o que foi acordado no ano passado e definido em lei, em meio à greve. “O estado hoje está em uma situação confortável e nós estamos estudando, baseados no comportamento da atividade econômica do país e também no resultado das receitas, o cumprimento dos compromissos com o servidores públicos”, explica, ressaltando o objetivo de manter o equilíbrio nas contas.

Nesta segunda-feira (4), servidores acompanharam a sessão da Alep. Valquíria Mazeto, da direção da APP Sindicato, diz que o funcionalismo não vai abrir mão da reposição e nem do pagamento das promoções, passivo que se arrasta desde 2015. “Progressão e promoção não atingem 100% da categoria. Então não temos condições de dizer que abrimos mão de uma coisa pela outra. Hoje, só na categoria da Educação, nós temos aproximadamente 50 mil pessoas que não têm direito a promoção e progressão e que ficariam sem nenhuma reposição em janeiro se essa proposta do governo passar”, explica, referindo-se, por exemplo, aos contratos temporários e aposentadorias.

O posicionamento foi colocado em uma nota assinada pelo Fórum das Entidades Sindicais e distribuída aos parlamentares. Novas paralisações devem acontecer, caso não haja acordo, afirma a diretora. “A Educação está em estado de greve, nós aprovamos na última assembleia. Dentro desse estado de greve, nós podemos acirrar as mobilizações, podemos chamar assembleia a qualquer momento e definir um novo calendário de mobilizações diante do que o governo apresentar”, garante Valquíria.

A proposta de governo deve constar na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que será discutida na Comissão de Orçamento da Assembleia na manhã de quarta-feira (6). Os deputados só podem entrar em recesso após a votação da LDO.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal