Protesto contra o lockdown em Curitiba pede saída do secretário Beto Preto

Redação

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Um novo protesto contra o lockdown foi realizado nesta segunda-feira (15), em frente ao prédio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Cerca de 20 pessoas estenderam faixas contra o fechamento do comércio, determinado pela prefeitura de Curitiba na última sexta-feira.

Apenas os serviços essenciais, como mercados, panificadoras, farmácias e postos de combustíveis, estão autorizados para funcionamento. Já comércio em geral, shoppings, academias e parques ficam fechados para evitar a transmissão da covid-19. Com o decreto, a prefeitura também adotou a bandeira vermelha, que representa nível máximo de alerta, pela primeira vez. Veja o que abre e fecha durante o decreto que vale até o próximo dia 21.

Além de ataques ao atual secretário de Saúde, Beto Preto, o prefeito Rafael Greca (DEM) e o governador Ratinho Junior (PSD) também foram lembrados.

“Lockdown quebra economia. Precisamos levar comida para casa, os idosos precisam de remédios. Já está muito claro para nós que vocês estão fazendo lockdown para quebrar a economia. Ratinho ajuda no lockdown, aumenta o preço do combustível enquanto outros tem isenção do governo federal”, disse uma das manifestantes.

Nas faixas estendidas apareciam cobranças sobre hospitais de campanha e transparência sobre o dinheiro que o governo federal envia aos estados. Vale lembrar que Ratinho Junior foi um dos governadores que assinou a carta rebatendo os dados divulgados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que faz constantes publicações nas redes sociais afirmando que enviou dinheiro suficiente aos estados.

Já sobre hospitais de campanha, as autoridades sanitárias do Paraná sempre destacaram que existe espaço físico dentro dos hospitais já existentes. Ou seja, a criação de novos hospitais, sem estrutura adequada, não é uma opção tão viável quanto parece. No entanto, existe uma extrema preocupação com a nova variante do coronavírus, chamada de P1, causou uma explosão nos casos e internações. A cepa identificada em Manaus é de quatro a seis vezes mais transmissível e também é mais agressiva, gerando o desenvolvimento das complicações de forma mais rápida. Outra diferença é que a variante P1 ataca pessoas com faixa etária menor – não somente idosos e pessoas com comorbidades.

Diante desse cenário, o governo do Paraná tem aberto leitos em todas as regiões do estado, mas ainda é insuficiente para atender toda a demanda existente. Hoje são mais de 1.200 pessoas com confirmação ou suspeita de covid na fila de espera por leitos, conforme a Sesa.

LOCKDOWN DE CURITIBA FOI DECISÃO MUNICIPAL – E NÃO ESTADUAL

Vale ressaltar que o decreto que estabelece lockdown em Curitiba foi publicado pela prefeitura, e não pelo governo do Paraná. O atual decreto estadual prevê toque de recolher entre 20h e 5h, além da proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas. As medidas vale até essa quarta-feira (17).

O lockdown foi adotado devido ao momento crítico vivido nos hospitais. Em Curitiba, são 280 pessoas aguardando por uma enfermaria e 137 pacientes no aguardo por uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Conforme os dados da Sesa, a capital paranaense está com 99% de ocupação nos leitos da rede pública. Entre os hospitais privados, alguns já fecharam o pronto atendimento por estarem com lotação máxima.

Já o boletim municipal aponta que Curitiba acumula 155.980 casos e 3.207 mortes. Neste momento são 12.655 casos ativos, que representa o número de pessoas capazes de transmitir o vírus.

Veja um vídeo que mostra fila de ambulâncias na frente do Hospital das Clínicas na noite de sábado (13).

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