Protesto dentro de Igreja em Curitiba será investigado pela polícia, afirma governador

Ratinho Junior classificou o ato como “de barbaridade e ódio” e solicitou que a Polícia Civil investigue o caso de crime religioso

Leonardo Gomes - BandNews FM Curitiba - 09 de fevereiro de 2022, 14:36

Foto: Reprodução
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A ocupação e protesto dentro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Curitiba, será investigada pela polícia. A informação foi divulgada pelo governador Ratinho Junior (PSD). Segundo ele, a delegada Daniela Antunes Andrade, do 3º Distrito Policial, foi designada para investigar o caso.

"Atendendo a solicitação do Governo do Estado, o delegado-geral da Polícia Civil designou a delegada Daniela Antunes Andrade, do 3º Distrito, para investigar o caso de crime religioso cometido contra a Igreja do Rosário e a comunidade católica de Curitiba", postou o governador em suas redes sociais.

Em um vídeo também publicado em suas redes sociais, Ratinho Junior classificou o ato como “de barbaridade e ódio”.

No último sábado (5) manifestantes, liderados pelo vereador de Curitiba Renato Freitas (PT), ocuparam a igreja em forma de protesto. O grupo se organizou, em um primeiro momento, em frente ao local contra o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe, que foi morto a pauladas, no último dia 26, em um quiosque no Rio de Janeiro.

No final do ato, parte dos manifestantes interrompeu uma missa que era celebrada na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico de Curitiba, para gritar palavras de ordem. As cenas foram gravadas.

O padre Luiz Haas, que conduzia o ato litúrgico, chegou a dizer que a intenção do grupo era atrapalhar a celebração religiosa.

"Acho que a igreja não é só do padre, nós todos temos que nos unir para evitar uma coisa dessas. Isso é de propósito, para atrapalhar a nossa missa. Não que grupo é, e tudo bem que protestem, mas não na hora da missa. Temos o direito, desde 1737 que se celebram missas aqui, e a igreja nova os Jesuítas estão cuidando há 70 anos, então temos todo o direito de ter paz e tranquilidade durante as celebrações", afirmou o religioso.

Repercussão

Após ser palco das manifestações, a igreja anunciou promoverá uma missa pela paz no sábado (12), às 17h. Embora a Arquidiocese de Curitiba não deixe claro, a realização da missa uma semana depois e no mesmo horário da ocupação da igreja, é interpretada como uma resposta ao ato.

O protesto dentro da igreja gerou manifestações. O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou o grupo de "marginais" e pediu que o ato seja investigado. A Arquidiocese de Curitiba repudiou a atitude dos manifestantes e afirmou que a Igreja Católica foi “profanada”.

A repercussão do ato chegou até a Câmara Municipal. Por lá, ao menos, três vereadores já representaram contra Renato Freitas e pediram a cassação do parlamentar.

O presidente da casa, Tico Kuzma, disse que ações que violem a liberdade religiosa em locais de culto não são aceitas e todos os fatos envolvendo o episódio serão devidamente apurados.

"Assim como apoiamos as manifestações pacíficas e nos solidarizamos com vítimas de preconceito e barbárie, apoiamos também a preservação das liberdades individuais e repudiamos violações às liberdades religiosas e locais de culto. Assim, esta casa não se furtará em apurar quaisquer fatos postos a apreciação, com a devida isenção e orientada pelos limites impostos pela Constituição Federal. Todos se submetem às leis", aponta o vereador.

O Partido dos Trabalhadores (PT) também lamentou a invasão à igreja. Em nota, o partido reforçou que não teve participação “nem da organização nem da decisão de adentrar o templo religioso”. 

O vereador Renato Freitas negou que tenha havido qualquer invasão e afirmou que o objetivo do ato era mostrar a indignação diante de crimes, como assassinatos, que podem ser provocados pelo racismo.

Em nota, o parlamentar justificou, ainda, que o local do ato foi escolhido pela relação histórica com a população negra curitibana. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, inaugurada em 1737, foi construída por e para pessoas escravizadas, uma vez que negros e negras não poderiam, na época, entrar em outras igrejas da cidade.

As informações são da BandNews Curitiba.