Quase metade dos atendimentos nas UPAs poderiam ter sido feitos em postos de saúde

Ana Flavia Silva - BandNews FM Curitiba

Cerca de 45% dos atendimentos feitos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Curitiba ao longo de 2018, não eram de casos de urgência ou emergência. São situações que poderiam ter sido resolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e que acabam atrasando o atendimento nas UPAs. Na semana passada, nas primeiras 24 horas da reabertura da UPA Pinheirinho, cerca de 75% dos pacientes não se encaixavam em quadros prioritários.

“Urgências são todas as situações que podem causar danos, sequelas ou sofrimento intenso. Emergências são situações que podem causar tudo isso e levar a morte. Nem toda situação aguda é urgência ou emergência. Vou dar um exemplo: eu dormi bem mas acordei com febre, dor de garganta e dificuldade para engolir. Provavelmente estou com amigdalite. Isso é uma situação aguda, mas representa algum dano permanente, sequelas e levar à morte? Não. É de baixo risco e aguda”, explica o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Pedro Almeida

São consideradas situações de urgência e emergência, pacientes que apresentam febre acima de 39ºC, fraturas e cortes com sangramento, infarto e derrame, falta de ar intensa e crises convulsivas, dores fortes no peito e vômito constante. Fora destes casos, a orientação é buscar o atendimento na Unidade Básica de Saúde. Isso diminui o número de pessoas na fila de espera, já que os pacientes em situação mais grave têm prioridade.

Foi o que o professor Hélio José Lucas Junior fez no ano passado. Mas ao procurar ajuda, ele foi direcionado de forma incorreta para uma UPA. “Eu estava com uma irritação muito forte nos olhos, estavam vermelhos e inchados. Suspeitei que fosse conjuntivite e como sou professor é complicado para transmitir isso para os alunos. Fui ao Posto de Saúde do meu bairro e me disseram que lá não poderia ser atendido, que seria só para pacientes crônicos, e foi me indicado a UPA”, relata o professor.


De acordo com Almeida, o professor não deveria ter sido encaminhado. Casos de enxaqueca, dor de garganta ou qualquer outro sintoma de dor aguda que não coloque a vida do paciente em risco deve ser atendido em uma UBS.

Segundo a prefeitura, as Unidades de Saúde contam com equipes multidisciplinares, compostas por médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas, além de auxiliares e técnicos de enfermagem e em saúde bucal. Almeida destaca que, mesmo que o número de consultas já tenha finalizado, especialmente no período da tarde, por exemplo, o atendimento deve ser feito por meio de um encaixe na agenda.

Curitiba tem atualmente 10 UPAs e 111 Unidades de Atenção Primária à Saúde, divindades em 64 UBS com Saúde da família e 47 Convencionais. A quantidade dez vezes maior de unidades de atendimento básico é justamente para evitar a lotação nas UPAs.

Em 2018, 1 milhão, cento e setenta e cinco mil e cento e noventa e nova atendimentos foram realizados nas UPAs da capital.

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