Queda de balão na Serra do Mar assusta testemunhas

Mariana Ohde


Um balão não tripulado caiu na Serra do Mar, na região de Morretes, na tarde deste domingo (14) e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A princípio, as equipes não conseguiram identificar o objeto à distância e havia a possibilidade de se tratar de um parapente ou paraquedas – desconfiança inicial das testemunhas que presenciaram a queda e acionaram a PRF.

Os bombeiros chegaram a agendar buscas para a manhã desta segunda-feira (15), uma vez que a queda aconteceu no final da tarde e não havia condições de iniciar o procedimento por causa dos riscos. Com a identificação do objeto, as buscas foram canceladas.

A informação foi repassada pela oficial de comunicação do 8º Grupamento de Bombeiros, segundo-tenente Virgínia Turra. “Fizemos averiguações no local e também triagens por telefone, pesquisas de informação, e não foi confirmado nenhum desaparecimento de vítima praticando tais atividades. Também não conseguimos imagens que efetivassem essa possibilidade. Mas, trabalhando na pior das possibilidades, mantivemos o planejamento para, hoje de manhã, fazer buscar aéreas”, conta.

“Entretanto, já no começo da manhã recebemos imagens e informações contundentes que mostram que, na verdade, se tratava da queda de um balão não tripulado”, confirma.

A tenente informou que não foram registrados focos de incêndio devido à umidade na região no momento da queda, mas deixa um alerta:

“Quando a mata está mais seca, situação diferente da de ontem, pode acontecer sim o início de um incêndio. E, em uma região como essa, do Viaduto dos Padres, uma região bastante perigosa, isso pode causar acidentes muito sérios. Então fica o alerta para que a população não solte balão em hipótese alguma. Além do risco, soltar balão é crime”, enfatiza.

Descartada a hipótese de vítimas ou desaparecidos o atendimento a essa ocorrência foi encerrado pelo Corpo de Bombeiros.

Legislação

Soltar balão é crime previsto pela lei 9.605/98. É considerado crime ambiental o ato de fabricar, vender, transportar e soltar balões. A penalidade pode variar de um a três anos de prisão, além da aplicação de uma multa, com valor estabelecido de acordo com cada caso. Segundo dados do Batalhão de Polícia Ambiental (BPMA), de 2007 a 2016, 190 pessoas foram encaminhadas à delegacia pela Polícia Militar e 69 balões (de diversos tamanhos) foram apreendidos pelas equipes policiais.

De acordo com o chefe de planejamento do BPMA, tenente Marcos Cesar Paluch, os prejuízos materiais e humanos provocados pelos balões podem ser graves e atingir pessoas que estão a quilômetros de distância do local de soltura. “Esse ato pode se tornar um delito ambiental quando o artefato cai em uma área de preservação ambiental, um crime aéreo quando interfere no tráfego de aeronave, de dano ao patrimônio em áreas residenciais e comerciais. Trata-se de uma prática delituosa que coloca vidas em risco”, disse ele.

Além dos riscos para florestas, a soltura de balões em regiões próximas a aeroportos pode causar acidentes aéreos, pois não é possível identifica-los pelos sistemas de bordo das aeronaves e nem pelos controladores de tráfego aéreo, o que redobra a atenção dos pilotos para evitar-se uma colisão. “Para se ter uma ideia do perigo, se um avião em descida bater contra um balão de 150 quilos a 460 km/h, o impacto seria de 208 toneladas, ou seja, metade do peso de um Boing 747”, explica o tenente Alexandre Lamour Viana.

Além desses aspectos, há ainda a severidade das lesões provocadas por queimaduras e explosões de fogos de artifício tanto nas pessoas que manuseiam os materiais inflamáveis, que geram combustão, quanto às que ficam expostas num incêndio. “Existem muitos casos de balões que caem em redes elétricas e em residências com fogos de artifício que estouram próximo ao solo e causam ferimentos graves”, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros, major Rafael Lorenzetto.

A população pode repassar denúncias e informações à Polícia Militar (telefone 190) e ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

(Com informações da CBN Curitiba e PRF)

 

 

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Repórter no Paraná Portal
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