Radares desligados em Maringá viram alvo de investigação do MP

Julie Gelenski


Por Leonardo Filho / Metro jornal Maringá

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou inquérito para apurar possíveis irregularidades da prefeitura de Maringá na ausência de fiscalização de trânsito por radares durante o período de campanha eleitoral. A portaria foi assinada pelo promotor Leonardo da Silva Vilhena e publicada pelo órgão no dia 23 de fevereiro. De acordo com o documento, a empresa paulista Tecdet – que era responsável pela manutenção dos radares fixos na cidade – solicitou investigação do MP pelos atos praticados pelo ex-gerente da Secretaria de Trânsito Antonio Bernardi Neto, o ex-prefeito Carlos Roberto Pupin e o ex-secretário de trânsito Fábio José Ribeiro.

Diante da denúncia, o MP quer apurar se o contrato entre a prefeitura e a empresa não foi renovado por estar próximo ao período eleitoral, o que poderia beneficiar o candidato da situação. De acordo com a versão apresentada pela empresa ao MP, no início do ano passado, representantes da Secretaria de Trânsito teriam comunicado “verbalmente a intenção de aditar o contrato com prorrogação da vigência e ampliação do objeto”.

Por conta dessa ‘promessa’, a empresa alega ter investido na compra de dois novos computadores com capacidade maior de armazenamento de dados. Essa compra teria sido feita entre fevereiro e março do ano passado. Ainda segundo a empresa, o então gerente da Setrans, Bernardi Neto, teria encaminhado à Tecdet os contratuais aditivos, que foram assinados no dia 17 de junho. Apesar da assinatura, no dia 21 de julho de 2016 a Secretaria de Trânsito publicou uma notificação para que a empresa prestadora do serviço retirasse todos os equipamentos e acessórios, pois o contrato havia se encerrado no dia 10 de junho.

Poucos falam

O ex-secretário de trânsito Fábio Ribeiro, que é tenente da Polícia Militar, disse que ainda não foi notificado oficialmente da solicitação do MP. “O contrato terminou, por isso não foi renovado. Queríamos um serviço mais eficiente, de uma fiscalização melhor, a empresa quis cobrar um valor acima do mercado, diferente do que cobrava em Londrina, por exemplo, então por isso, decidimos não renovar. Coincidiu com o fato dessa não renovação ocorrer em um momento político”, afirmou Ribeiro.

Bernardi Neto informou que não foi notificado oficialmente e por isso não iria se pronunciar sobre o caso.

O ex-prefeito Roberto Pupin não foi localizado para comentar o assunto. A reportagem manteve contato com a empresa Tecdet, mas não encontrou os responsáveis que pudessem dar explicações sobre o fato.

Licitação ainda não realizada

O secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur, confirmou que o município pretende reativar os radares para controle de velocidade em Maringá. O edital, segundo o secretário, está finalizado por parte da secretaria e deve ser publicado ainda este mês. “A expectativa é de que em um prazo de 15 dias ocorra a publicação”, afirmou Purpur.

Atualmente, a secretaria conta com nove radares móveis, que podem ser usados pelos agentes de trânsito. No entanto, o secretário confirmou que o equipamento será prioritariamente usado em ações educativas. Em uma blitz realizada no fim de janeiro, mais de 100 motoristas foram flagrados acima do limite de velocidade permitida. A operação foi realizada na avenida Joaquim Duarte Moleirinho, na zona sul da cidade.

Esse tipo de ação deve se repetir nos próximos dias, segundo a secretaria.

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