Região litorânea com risco de desastre natural tem novo mapeamento

Redação


As regiões mais sensíveis a desastres no litoral do Paraná ganharam um novo mapeamento, coordenando pelo ITCG (Instituto de Terras, Cartografia e Geociências) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Os novos mapas oferecem suporte para um detalhamento das áreas de risco no litoral bastante superior ao atual, o que irá melhorar a prevenção de catástrofes e as ações da Defesa Civil em casos de enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos de terra na região, explica Gislene Lessa, diretora de Geociências do ITCG.

A área mapeada, mais de 2,1 mil km², abrange terrenos dos municípios de Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba, Paranaguá, até a Ilha do Mel, Antonina e Morretes. “Isso dá 1,5% do estado, mas são áreas que já apresentam um histórico de alerta envolvendo desastres. Por ser uma área pequena conseguimos fazer um mapeamento muito mais detalhado, numa escala muito maior, o que vai garantir maior assertividade na determinação dos riscos”, conta Lessa.

Avanços
As imagens, que foram entregues na última semana para o governo do estado, foram feitas através de um radar interferométrico. A tecnologia, brasileira, possibilita mapeamento detalhado mesmo em regiões com alta concentração de nuvens, como é o caso do litoral. Os próximos passos, segundo Lessa, deverão exigir esforços principal-mente da Defesa Civil e da Mineropar — Serviço Geológico do Paraná. “E necessário saber onde podem, eventualmente, ocorrer novos deslizamentos. E se isto for feito em uma base cartográfica não adequada, o estudo pode ser comprometido”, explica Lessa sobre a relevância dos novos materiais para as instituições que assumem as estratégias de prevenção de catástrofes.

Meire Schimidt, engenheira cartógrafa do ITCG, acredita que a determinação precisa das unidades de risco para a população deverá ser feita e divulgada até o final deste ano.

Sem títuloO que está sendo feito
O mapeamento é uma das etapas planejadas pelo projeto multissetorial de fortalecimento da gestão de desastres do governo. Os trabalhos vêm sendo pensados desde 2011, quando fortes chuvas ocasionaram desastres históricos, principalmente na região de Morretes. “Esta parte que estamos concluindo é uma de várias outras atividades que estão sendo feitas”, afirma Lessa. Investimento em radares meteorológicos e melhor organização e pre-paração da Defesa Civil estão entre os outros planos executados pela gestão.

População
Nem todas as regiões perigosas em caso de grande volume de chuva estão ocupadas por moradores. Mas as que estão ganharão atenção ainda mais qualificada da Defesa Civil, garante Schimidt. “O mapa também oferece caminhos alternativos para chegar as áreas de risco, o que ajuda no processo de socorro, quando estradas estão bloqueadas, por exemplo, como aconteceu em 2011”, explica a engenheira.

Propor políticas para realocar famílias, construir parques fechados para que pessoas não voltem a ocupar regiões de risco, remanejar pontes em lugares que não ofereçam ameaças, e preparar moradores que não querem ser realocados das áreas de risco estão entre os planos que deverão ser executados a partir da exploração dos novos mapas do litoral.

Previous ArticleNext Article