Renault terá que readmitir 747 trabalhadores de fábrica no Paraná

Mirian Villa


Na noite desta quarta-feira (5), a Justiça anulou a demissão em massa de 747 trabalhadores de uma fábrica da Renault em São José dos Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba. Em caso de descumprimento, a empresa deve pagar uma multa diária de R$ 100 mil.

“Declara-se a nulidade das 747 dispensas, determinando-se a reintegração dos  trabalhadores dispensados na data de 21 de julho de 2020, sob pena de multa diária no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), nos termos do art. 297 e 536 do CPC”, diz o texto da decisão da juíza Sandra Mara de Oliveira Dias.

Além disso, uma audiência virtual de conciliação foi marcada para o dia 13 de agosto, próxima quinta-feira, às 10h. A decisão da Justiça ainda cabe recurso para a Renault.

RENAULT NÃO RESPEITOU ACORDO FIRMADO COM O MPT, DIZ JUÍZA

Para Sandra, a Renault não respeitou um acordo firmado com o MPT (Ministério Público do Trabalho) de negociar as demissões em massa com a entidade sindical que representa os trabalhadores. “Desse modo, tem-se por configurada a inconstitucionalidade de dispensas coletivas sem prévia negociação coletiva”, explica a decisão.

Além disso, a juíza apontou que os trabalhadores da fábrica da Renault em São José dos Pinhais foram demitidos em período de pandemia e, com isso, foram expostos ao desemprego involuntário, “ficando sem renda e estando impossibilitado de procurar nova colocação no mercado de trabalho, em decorrência das medidas de distanciamento social”.

Uma assembleia está marcada para a tarde desta quinta-feira (6), às 14h, em frente à fábrica, para os trabalhadores suspenderem a grave.

Leia aqui a decisão de reintegração dos 747 trabalhadores da Renault no Paraná!

RENAULT DEMITE 747 TRABALHADORES NO PARANÁ

No dia 21 de junho, a montadora Renault confirmou para o Paraná Portal a demissão de 747 trabalhadores da fábrica instalada em São José dos Pinhais, além de optar pelo fechamento do terceiro turno de produção do complexo Ayrton Senna.

“A empresa foi radical na sua postura e obrigou os trabalhadores a decidir em assembleia o estado de greve. Independente de qualquer coisa, queremos deixar nosso repúdio pela forma e tratativa que a empresa está dando ao povo do Paraná, depois se usufruir de incentivos fiscais e se comprometer em gerar e manter empregos e manter empregos, e está demitindo quase 800 trabalhadores só hoje”, afirmou Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba.

Na época, por meio de nota, a Renault do Brasil informou que as demissões estavam relacionadas à pandemia da covid-19 e que realizou todos os esforços possíveis para evitar as demissões.

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