Rio Branco do Sul deve decretar estado de emergência por causa do temporal

Daiane Andrade - BandNews FM Curitiba, Lorena Pelanda - BandNews FM Curitiba e Ana Flavia Silva - BandNews FM Curitiba


Sobe para 18.574 o número de pessoas prejudicadas pelas  fortes chuvas que atingem o Paraná desde a manhã de ontem (30). São doze municípios atingidos e quase 3.300 casas danificadas, de acordo com o último boletim da Defesa Civil. Quinze pessoas estão desabrigadas. Segundo o levantamento, vendaval, chuva forte e granizo atingiram Curitiba e os municípios de Antonina, Araucária, Rio Branco do Sul, Colombo, Contenda, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, São José dos Pinhais, todos na região metropolitana da capital, além de Guarapuava e de União da Vitória.

Em Guarapuava, um bebê de apenas oito meses morreu em um deslizamento. Segundo o Corpo de Bombeiros, a chuva derrubou o muro que servia de parede para a casa onde a criança morava. A estrutura caiu sobre o menino, que foi levado pela água até o pátio da residência.

De acordo com o tenente da Defesa Civil, Marcos Vidal, a situação mais crítica é em Rio Branco do Sul, com duas mil pessoas afetadas. “A Defesa Civil do município faz esse atendimento inicial para que as pessoas que foram afetadas não tenham mais problemas com a chuva. O próximo passo é o município fazer o levamento do que isso afetou a vida do município”, disse.

Por conta dos estragos, o prefeito Cezar Gibram Johnsson (PSC) afirma que o município está levantando todos os dados para decretar estado de emergência. “Já está sendo preparado, vai ser declarado sim. Os estragos foram grandes. Isso acontece para que as pessoas que foram afetadas possam usar o FGTS para, pelo menos, comprar algo que acabam perdendo”, explicou.

A Prefeitura de Rio Branco do Sul também determinou a compra de telhas um pouco mais reforçadas para distribuir à população atingida, bem como de cestas básicas para as famílias que perderam tudo.  Na casa do motorista João Cordeiro, na Vila São Pedro, a camada de gelo no meio da manhã ainda media cerca de 30 centímetros. “Era uma 4h30 mais ou menos. Nós levantamos desesperados e chuva, mais era pedra que caia. Então quando eu vi que encostou na porta, que eu abri pra gente sair, e a pedra começou a entrar, fechei a porta e ficamos esperando passar. Eu olhei pela janela e era só pedra. Caiu meu portão, estourou o muro. Vizinhos gritando desesperados”, contou.

Na Vila Costa, no bairro Madre, as enormes pedras de gelo deixaram o telhado da casa da Thaíse de Paula parecido com uma grande peneira. Ela só teve tempo de pegar o filho de dois anos no colo e correr para um ponto do imóvel onde não caíam água nem granizo do forro. “Começou foi pouquinho. Viemos para a sala, eu trouxe coberto para cobrir meu piazinho. E aí veio tudo. A casa inteira. A cama já tinha molhado. Como meu piazinho tava desesperado eu não tinha o que fazer, só segurar ele e esperar”, lembrou.

Por causa do episódio, a Thaíse perdeu praticamente tudo o que tinha em casa. Já na residência da Helena Cordeiro, no bairro Nossa Senhora de Fátima, o estrago nos eletrodomésticos e móveis foi um pouco menor, por sorte, e desde as primeiras horas o filho se arrisca sobre a cobertura para tentar impedir mais problemas. “Eu tava dormindo e acordei com o barulho. Aí começou a cair goteira para tudo quanto é lado. Aí fomos cobrindo as coisas. Quebrou bastante. Estamos tentando arrumar, tapando os buracos maiores”, relatou.

Uma reunião de secretariado com o prefeito de Rio Branco do Sul foi convocada às pressas para avaliar a situação e definir o que seria feito pelo Poder Público. À BandNews, o prefeito, Cezar Gibram Johnsson (PSC), garantiu que a Administração vai inclusive contratar carpinteiros para o conserto das casas de quem não tem como executar o serviço. “Agora vamos ter um número mais certo do que aconteceu após as equipes visitarem residência por residência. Eu já determinei a compra de eternit, algumas cestas básicas”, destacou.

Em Rio Branco houve ainda alagamentos em ruas e na Rodovia dos Minérios e várias vias estão bloqueadas devido à queda de árvores.

 

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