Rodízio de abastecimento de água chega a 600 dias sem previsão de normalização

O rodízio de abastecimento de água em Curitiba e região metropolitana está prestes a completar 600 dias sem uma data ofi..

Redação - 27 de outubro de 2021, 15:33

Divulgação/Sanepar
Divulgação/Sanepar

O rodízio de abastecimento de água em Curitiba e região metropolitana está prestes a completar 600 dias sem uma data oficial para acabar. A medida de emergência foi adotada pela Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) em março de 2020, devido à estiagem que levou os reservatórios aos níveis mais baixos da história.

O racionamento foi introduzido oficialmente na Grande Curitiba no dia 19 de março de 2020, três dias após moradores serem surpreendidos e ficarem sem água pela dificuldade em captar água na estação do Rio Miringuava, em São José dos Pinhais. Anunciado como uma medida temporária, o rodízio faz parte da rotina dos moradores desde então.

O rodízio de abastecimento de água foi suspenso durante alguns finais de semana, mas em abril de 2020 precisou ser ampliado. No dia 11 de agosto de 2020, o nível médio dos reservatórios que compõem o SAIC (Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba) caiu para patamares inferiores a 30% e passou a vigorar o rodízio de 36 horas por 36 horas.

Em dezembro de 2020, a Sanepar suspendeu o rodízio de abastecimento de água durante o Natal, e viu o consumo aumentar mais de 15% em Curitiba região metropolitana. A virada do ano trouxe precipitações regulares, mas embora em janeiro de 2021 tenha registrado chuvas acima da média, o nível dos reservatórios que abastecem a região são passou de 50%.

O fenômeno climático La Ninã foi usado como argumento pela Sanepar para prorrogar o rodízio no abastecimento de água até abril de 2021. No entanto, como a seca deu uma trégua, em março de 2021 o rodízio passou a vigorar de forma menos rígida, com 60 horas de abastecimento para cada 36 horas de racionamento.

A estiagem voltou a apertar em junho de 2021, quando o Monitor de Secas, da ANA, apontou que 40% do território do Paraná era afetado pela seca grave. Como a situação não melhorou, em agosto de 2021, o rodízio de abastecimento de água foi endurecido. Em Curitiba e região, voltou a vigor o racionamento de 36 horas por 36 horas.

Em agosto de 2021, o Governo do Paraná decretou situação de emergência hídrica em todo o território estadual. Até então, a situação acometia apenas Curitiba e região metropolitana. O atual decreto é válido até o início de novembro.

PARANÁ PRECISA INVESTIR EM CAPTAÇÃO, DIZ ATLAS ÁGUAS

Apesar de uma estiagem sem precedentes assolar várias regiões do Brasil, a falta de chuvas não é a única explicação para a criação do cenário de insegurança hídrica. Dentre os estados da região sul, o Paraná é o que mais precisa investir em captação e distribuição de água, segundo o  Atlas Águas – Segurança Hídrica do Abastecimento Urbano.

Segundo o relatório publicado em outubro pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o Paraná precisa investir pelo menos R$ 5,3 bilhões até o ano de 2035 para garantir o abastecimento universal de água. O valor representa mais de 38% dos investimentos necessários para a região sul.

Conforme a publicação, a maior parte dos investimentos – R$ 3,3 bilhões, ou 62% – é necessária para a produção de água. Outros R$ 2 bilhões (38%) seriam necessários para garantir a distribuição do recurso. O Atlas Águas classificou 52% dos municípios do Paraná como áreas com segurança hídrica baixa ou média.

+ LEIA MAIS: Paraná precisa investir R$ 5,3 bi até 2035 para garantir abastecimento de água

água, curitiba, região metropolitana, estiagem, reservatórios, níveis, nível, saic, sanepar, rodízio, racionamento Relatório de abrangência nacional aponta que o Paraná precisa investir R$ 3,3 bilhões em captação de água (Divulgação/Sanepar)

RODÍZIO DE ÁGUA EM CURITIBA SEM DATA PARA ACABAR

A Sanepar não projeta suspender o rodízio de abastecimento de água em Curitiba e região metropolitana até março de 2022. Segundo a Companhia, o déficit hídrico acumulado nos últimos anos não se resolve com dias ou semanas de chuvas intensas.

“As chuvas em outubro são excelentes, aliviam muitos sistemas no interior, mas não resolve a crise hídrica. Há um déficit hídrico e ainda temos um longo caminho até o fim do verão e a volta à normalidade”, afirmou no início do mês o diretor de Meio Ambiente e Ação Social, Julio Gonchorosky.

Procurada desde a semana passada pelo Paraná Portal, a Companhia de Saneamento do Paraná não disponibilizou um porta-voz para falar sobre a crise hídrica e o sistema de rodízio de abastecimento adotado Curitiba e região metropolitana.