Rodovias são bloqueadas pelo 7º dia em protesto contra reintegração no PR

Narley Resende


Rodovias estaduais da região de Pinhão, no Centro-Sul do Paraná, foram bloqueadas pelo sétimo dia consecutivo nesta segunda-feira (11) em um protesto contra uma reintegração de posse no dia 1º de dezembro, que desalojou uma comunidade rural de 20 famílias.

Em solidariedade, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou um trecho na PR-170 e outro na PR-459 para protestar contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Por ordem do STJ, as famílias, que até então não tinham ligação direta com o MST, foram despejadas para que a área fosse devolvida à indústria madeireira João José Zattar S.A., com quem os Sem Terra têm uma antiga disputa por terras na região.

No protesto do MST, os trechos das rodovias chegaram a ficar completamente bloqueados, mas uma reunião entre manifestantes e representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) resultou na liberação do trânsito a cada uma hora.

Desde a última sexta-feira (8), segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), as interdições têm sido intermitentes. Segundo a PRE, não chegaram a se formar grandes filas e motoristas acostumados a percorrer o trecho já estão usando rotas alternativas.

Igreja demolida em Pinhão (PR). Foto: divulgação / MST
Igreja demolida em Pinhão (PR). Foto: divulgação

Reintegração

A reintegração de posse do dia 1º de dezembro teve cenas marcantes. Máquinas foram usadas para remover casas, uma igreja, uma padaria comunitária, espaços de lazer da comunidade e até mesmo um posto de saúde.

Pinhão tem entre 13 e 14 mil pessoas em situação semelhante à dos posseiros que habitavam a localidade conhecida como Alecrim, com liminares e autorizações para reintegração em benefício da mesma empresa. Entre as famílias despejadas, estão cidadãos que moravam há mais de 20 anos na comunidade.

Os membros do MST que promovem o protesto são integrantes dos acampamentos Dom Tomás Balduíno e Vilmar Bordin. A manifestação é um apoio à comunidade do Alecrim em Pinhão.

De acordo com o movimento, a comunidade foi surpreendidas por um grande aparato policial de reintegração de posse.

*Animais

O Juízo da Vara Cível da Comarca de Pinhão determinou nesta segunda-feira (11) que seja autorizado o ingresso de representantes da ONG Abrace e Adote, que atua na proteção de animais, na área de aproximadamente 290 hectares na região do Alecrim. O objetivo é permitir que sejam alimentados os animais que pertencem aos antigos moradores da área, uma vez que muitos animais permaneceram na propriedade.

A Justiça também determinou cautelarmente que seja feito o arrolamento de bens na propriedade, incluindo todos os animais que permanecem nela. A medida pretende evitar que haja dissipação dos bens, de modo a garantir eventual reparação ou restituição aos proprietários.

Quando foi cumprido o mandado de reintegração de posse, gado, galináceos e animais domésticos não puderam ser retirados, e seus proprietários não têm notícias sobre o atual estado dos animais e se estão recebendo alimentação.

A Promotoria de Justiça de Pinhão, que requereu as medidas ao Judiciário, vem realizando sucessivas reuniões com representantes das comunidades afetadas e autoridades locais buscando resolver o impasse.

Os moradores afetados pela desocupação deverão apresentar ao Ministério Público uma lista contendo a discriminação da quantidade e espécie de animais que mantinham, para que seja providenciado transporte e local adequado para receber os animais.

A reportagem não conseguiu contato com representantes da madeireira citada.

*Matéria atualizada às 18h para inclusão de informações do MP

Fotos: colaboração / Daniel Giovanaz / BdF Paraná e divulgação / MST

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