Ruralista acusado de matar sem-terra vai a júri popular

Andreza Rossini


Ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, vai a júri popular na próxima quinta-feira (25), acusado de assassinar o agricultor sem terra, Sebastião Camargo, em 1998. Essa é a segunda vez que Prochet é julgado – no primeiro parecer apresentado em 2013 e anulado pelo Tribunal de Justiça do Paraná, o ruralista foi condenado a cerca de 15 anos de prisão.

O trabalhador foi morto durante um despejo ilegal, que envolveu cerca de 30 pistoleiros, na cidade de Marilena, Noroeste do Paraná. Além da morte do agricultor, 17 pessoas, inclusive crianças, ficaram feridas. Prochet é a quarta pessoa a ir a júri popular pela morte de Sebastião Camargo.

O latifúndio onde o ruralista foi morto já havia sido declarado improdutivo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O então proprietário da fazenda estava negociando com o Incra a desapropriação da terra, que foi destinada à reforma agrária. Em 2001 o proprietário recebeu R$ 1,3 milhão pela desapropriação da área. O local onde houve o assassinato, hoje é chamado de “Assentamento Sebastião Camargo”.

Um esquema de milícias armadas montado para despejos violentos no Paraná foi desmantelado pela “Operação Março Branco”, da Polícia Federal. O esquema era financiado por fazendeiros, para realizar ataques contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Deflagrada em 2005, a operação prendeu oito pessoas por formação de organização criminosa, entre elas o ex-coronel Waldir Copetti Neves.

Outros envolvidos

Em novembro de 2012, duas pessoas também foram condenadas pela participação no crime: O ex-proprietário da fazenda onde o agricultor foi morto, recebeu condenação de seis anos de prisão por homicídio simples; Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais.

Augusto Barbosa da Costa, integrante da milícia privada, também foi condenado, mas recorreu da decisão. Denunciado apenas em 2013, o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná – FAEP, ligada à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também responde pelo crime. O ruralista é ex-tesoureiro da União Democrática Ruralista (UDR) e ex-vereador em Paranavaí pelo partido Democratas (DEM).

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