Satélite detecta recorde de focos de incêndio no Paraná

Mariana Ohde


Por Clóvis Melo, Metro Maringá

O número de focos de incêndio detectados no Paraná em 2016 foi o maior dos últimos 12 anos. Segundo dados do Programa Queimadas – Monitoramento por Satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no ano passado, o satélite Aqua registrou 4.085 focos de incêndio no estado, contra 2.187 em 2015 e 1.120 de 2008 (o menor do período).

Segundo o tecnologista sênior do Inpe, Fabiano Morelli, um ponto que chama a atenção nos registros de queimadas no Paraná em 2016 é que nos meses de abril, junho e julho o número de focos detectados foi recorde de toda a série histórica, iniciada em 1998. “Houve um aumento bastante expressivo do número de focos ativos, de fogo na vegetação, detectados especialmente no final do primeiro semestre”, explicou Morelli.

“Esses meses foram os mais anormais em relação ao resto do ano, foi o recorde histórico de todo período de monitoramento. A tendência é que os meses de julho, agosto e setembro sejam os piores”.

Agricultura e pecuária

De acordo com o especialista, a maioria dos focos detectados corresponde a queimadas provocadas em atividades agropastoris, como abertura de nova áreas para a agricultura ou preparação de pastagens. “Há algumas queimadas acidentais que o satélite também detecta, mas isso é mínimo, como incêndios próximos a rodovias”, detalhou.

Um dos motivos para o aumento expressivo do número de focos detectados pelo Inpe no estado também está relacionado, segundo Morelli, a condições meteorológicas propícias, como períodos de seca.

Cultura do fogo

O capitão Nivaldo do Rêgo, do 5º Grupamento do Corpo de Bombeiros, confirma que a maioria dos incêndios ambientais atendidos pela corporação são propositais. “Infelizmente, ainda se cultua a ideia de que o fogo é produto de limpeza. As pessoas usam as queimadas para renovar pastos, limpar terrenos e dar fim ao lixo”, lamenta. “Parece que as pessoas esquecem que as queimadas são crime ambiental e causam danos ambientais e a saúde da população”, reforça.

Já para o Corpo de Bombeiros, a ‘cultura do fogo’ resulta em desgaste de pessoal e material, e principalmente desperdício de água. “Na maioria das vezes usamos água potável de hidrantes para combater incêndios”, destaca.

Monitoramento

A série histórica de detecção de incêndios pelo Inpe começou em 1998, com o satélite NOAA da série 12. Após chegar ao final de sua vida útil, o Inpe trocou o NOAA pelo Aqua, que possui uma órbita quase polar e passa de 4 a 6 vezes por dia sobre o Brasil – cada passagem dura 15 minutos, tempo em que o Aqua detecta os focos.

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